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Minas do Lousal a três dimensões

O Centro de Ciência Viva, um dos projectos mais ambiciosos da reabilitação das antigas minas do Lousal, Grândola, vai ser inaugurado em Setembro ou Outubro.

Vera Mariano/SemMais Jornal

De acordo com Fernando Fantasia, administrador da Fundação Frédèric Velge que delineou o projecto, "falta apenas colocar equipamento científico que chegará em Agosto".

A "Mina de Ciência - Centro de Ciência Viva do Lousal", que fará parte da Rede de Ciência Viva constituída por vários centros um pouco por todo o país, engloba um museu interactivo sobre a indústria mineira, em geral, e as minas do Lousal, em particular. O projecto está orçado em cerca de 2,5 milhões de euros, sendo que 850 mil euros foram financiados por fundos comunitários.

Um dos sistemas fundamentais deste centro será o CAVE - "Automatic Virtual Enviroment", projecto científico único em Portugal, que foi desenvolvido por investigadores do ISCTE com tecnologia de ponta utilizada na concepção de novos modelos pela NASA, pela Boeing e empresas prospectoras de petróleo e gás natural.

O objectivo, de acordo com Miguel Dias, professor do ISCTE, é "fazer ciência ao vivo para educar os jovens para a ciência", mas também é uma tecnologia que poderá ser utilizada para investigação universitária e para apoio às indústrias portuguesas.

O equipamento operacionalizado no antigo centro mineiro permitirá, numa primeira fase, uma descida virtual à mina. "Será uma espécie de jogo ou aventura que pode ser jogado por crianças e jovens, durante dez a 15 minuto em que ficarão imersos como se estivessem no fundo da mina e poderão interagir com o que encontram pela frente", explica Miguel Dias.

Para mais tarde, fica o projecto para a descida real às minas que custa cerca de dez milhões de euros e que está dependente da aprovação de uma candidatura a fundos comunitários.

A Fundação Frédèric Velge organizou, em Junho, o Congresso "Minas Além Tejo: passado, presente e futuro", onde vários investigadores traçaram o panorama sobre a actividade mineira em Portugal. As cicatrizes ambientais, a insegurança e a perda de uma actividade económica muito importante para as diferentes localidades, são alguns dos aspectos negativos que ficam depois do encerramento das minas. No entanto, algumas minas, como Aljustrel e Neves Corvo, já reactivaram a actividade mineira e outras estão a ser reabilitadas com diversos projectos.