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Guarda presente na maratona de Pequim

Inês Monteiro e Paulo Gomes estão na lista escolhida pelo seleccionador nacional para representarem o país na prova de atletismo mais longa dos Jogos Olímpicos.

Ricardo Cordeiro*

Os dois beirões querem fazer boa figura nos 42 quilómetros da competição chinesa

Caso não surja nenhuma contrariedade de última hora, o distrito da Guarda vai estar duplamente representado na Maratona dos próximos Jogos Olímpicos. Depois de terem obtido os mínimos, a guardense Inês Monteiro e o celoricense Paulo Gomes integram a lista de pré-seleccionados para representar o país em Pequim.

Aos 27 anos, Inês Monteiro prepara-se para repetir a experiência olímpica, uma vez que em 2004, em Atenas, correu os... 5000 metros.

Mínimos na estreia para Inês

A atleta conseguiu mínimos na primeira prova da maratona em que participou, a 13 de Abril deste ano, em Roterdão.

Deste modo, em Pequim Inês vai correr pela segunda vez os 42.195 metros, alimentando a expectativa de ficar na "primeira metade da tabela" e consciente de que "não vai ser fácil", face ao calor e à humidade da capital chinesa, "dois dos principais obstáculos" a um bom desempenho.

Já em relação à diferença de oito horas do fuso horário, assegura que não costuma ter "problemas de adaptação". De resto, esta não é a primeira competição que vai disputar em solo asiático, uma vez que anteriormente já participou em competições no Quatar, Coreia do Sul e Japão.

Confessando ainda não se ter preocupado em tentar saber mais pormenores sobre o trajecto que vai encontrar, a guardense garante que vai tentar preparar-se "o melhor possível" para fazer boa figura no Oriente.

Inês Monteiro frisa que a Guarda está dotada do "essencial" no que respeita às condições de treino, considerando o Parque do Rio Diz uma "mais valia" que vem juntar-se ao Estádio Municipal.

Sonho cumprido aos 35 anos

Por seu turno, Paulo Gomes, que acaba de completar 35 anos, conseguiu "finalmente concretizar o sonho de estar nuns Jogos Olímpicos ao fim de 20 anos de carreira", graças aos mínimos obtidos na maratona de Praga, a 13 de Maio de 2007.

Na China quer "chegar ao fim" da prova e entrar num Estádio Olímpico "completamente cheio", prometendo fazer uma "boa preparação" para chegar na "melhor forma" à Ásia.

O veterano atleta reconhece que vai encontrar "condições extremamente adversas e problemáticas". Contudo, lembra que as condições "vão ser iguais para todos".

Por outro lado, espera retirar ensinamentos da experiência vivida no Mundial de Osaka, no vizinho Japão, no ano passado, onde terminou em 42º uma corrida que registou 30 desistências.

Entre os aspectos a corrigir aponta uma "melhor hidratação", reconhecendo que o fuso horário "também atrapalha um pouco". O total desconhecimento sobre as características do percurso olímpico não o preocupa muito, até porque fez o seu melhor tempo em Praga na maratona "mais difícil" que disputou até hoje.

Paulo agradece apoio camarário

Sobre as possibilidades de treino oferecidas pela Guarda, cidade onde reside desde 2003, considera que já teve "piores condições" do que as actuais, elogiando o Parque do Rio Diz, que veio "diversificar os percursos" de quem habitualmente treina "30 a 40 quilómetros" por dia.

Paulo Gomes, aliás, agradece o "apoio" que tem tido por parte da Câmara da Guarda "na utilização das instalações desportivas". O atleta reconhece que esta sua ida a Pequim deve-se também a esse facto, o que, em seu entender, vem provar que "se deve apostar mais nas modalidades extra-futebol".

O desporto-rei, apesar de ser aquele que "mais dinheiro leva não vai estar representado", frisa.

Por último, o celoricense deixa uma constatação curiosa: "É engraçado a cidade mais alta e íngreme do país ter dois atletas na corrida mais longa e mais plana. Acaba por ser uma antítese", realça.