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Futuro da Coudelaria Nacional é "muito preocupante"

Disse Gomes da Silva que "está a ser posto em causa um grande trabalho e o investimento dos últimos 10-12 anos".

Durante o Encontro das Coudelarias Tradicionais Europeias, esta semana realizado em Alter do Chão, o ex-ministro da Agricultura do Governo de António Guterres manifestou-se muito preocupado com o futuro da Coudelaria Nacional, que ele próprio ajudara a salvar. Garantiu Gomes da Silva, aos representantes de uma vintena de coudelarias, que "não houve nem há uma linha orientadora na PAC sobre a produção equina". Mas não seria só a Política Agrícola Comum a menosprezar a criação de cavalos. Também o actual ministro da Agricultura não garantiria a "sustentação financeira” da coudelaria, no entender de Gomes da Silva, como "nada está claro sobre o suporte patrimonial e económico-financeiro" da fundação em que se vai integrar, recentemente anunciada pelo ministro. Quando era membro do Governo de António Guterres, Gomes da Silva foi um grande impulsionador do desenvolvimento da Coudelaria de Alter, invertendo na altura o processo de entrega à gestão privada, que já estava em marcha.

A Coudelaria Nacional vai ser integrada numa Fundação, em conjunto com a Companhia das Lezírias, mas os receios quanto ao seu futuro mantêm-se, nomeadamente por estarem a ser postos em causa "o trabalho e os grandes investimentos dos últimos 10-12 anos", na opinião do ex-ministro da Agricultura. Segundo ele também defendeu, a Coudelaria Nacional devia ser bem aproveitada no sentido turístico, até por se tratar de um pólo muito conhecido do Norte Alentejano.

Já o director da Coudelaria de Alter, Costa Ferreira, comentou que a realização desta conferência internacional foi uma contribuição importante para a projecção da instituição no estrangeiro.

Participaram neste encontro 23 especialistas europeus de criação de cavalos, representando 11 países: Alemanha, Áustria, Bulgária, Eslovénia, Eslováquia, França, Hungria, Suíça, Roménia, República Checa e Portugal. A preservação de instalações equestres e edifícios históricos, bem como dos livros genealógicos das raças, são os objectivos nucleares deste grupo de coudelarias nacionais e tradicionais: nacionais por pertencerem aos Estados e tradicionais por serem antigas e terem provas dadas.