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Flora e fauna da Gardunha ameaçadas

Há 42 espécies em risco de extinção, se não forem tomadas medidas urgentes de ordenamento na serra.

Durante um ano e meio, a Associação de Defesa e Desenvolvimento da Serra da Gardunha (Adesgar)  fez um levantamento exaustivo da flora e fauna, da agricultura e floresta e, também, da pastorícia. E as conclusões do que foi apurado acabam de ser divulgadas num "Livro Vermelho" pouco animador: quase metade das espécies conhecidas da flora da Gardunha encontra-se em risco de desaparecimento.

O estudo da Adesgar foi efectuado a pedido da Câmara do Fundão e, segundo os dados a que o Reconquista teve acesso, 45% da diversidade floral desta serra da Beira Interior está ameaçada. O que, traduzida a percentagem em números, significa que existem 42 espécies ameaçadas. Daí a urgência em planear a aplicação de medidas, que possam garantir a perenidade e desenvolvimento destas espécies, nomeadamente através da protecção do seu habitat.

No que respeita à fauna da Gardunha, o cenário não é tão preocupante, dado que apenas 3% das suas espécies estão ameaçadas ou quase ameaçadas: um anfíbio, Chioglossa lusitanica (salamandra-lusitânica) e um réptil, o Lacerta schreiberi (lagarto-de-água).Há, ainda, outra que o pode vir a ser e que, de momento, se inclui na categoria de "quase ameaçada", a Rana iberica (rã-ibérica).

Embora a maioria das espécies de fauna não esteja ameaçada, "devem-se na mesma proteger e preservar os habitats naturais onde vivem, para não termos, um dia mais tarde, de as contabilizar como raras, vulneráveis ou em perigo de extinção", lê-se também no Livro Vermelho da Serra da Gardunha.

O projecto subjacente ao estudo da Adesgar pretende ser "um contributo para um plano de gestão e ordenamento", adianta Antónia Silvestre, membro daquela associação, acrescentando que o objectivo é "a sustentabilidade da Gardunha, para permitir às populações da serra que a usufruam, sem prejudicar as gerações vindouras".