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Finanças empatam Cabo Espichel

A autarquia aguarda luz verde do Governo para vencer o impasse de 10 anos e avançar com a requalificação do santuário e da zona envolvente.

Vera Mariano/SemMais Jornal

A dois anos de se assinalarem os 600 anos sobre o início do culto a Nossa Senhora do Cabo Espichel, uma das mais antigas manifestações religiosas no país, o município já iniciou o programa de comemorações para "colocar o Cabo Espichel na ordem do dia".

A vice-presidente da Câmara de Sesimbra, Felícia Costa, garante vai continuar a chamar a atenção da administração central para a importância da recuperação do património "único" do Cabo Espichel, um processo que está num impasse há cerca de dez anos.

Depois da Enatur ser adquirida pelo Grupo Pestana e ter abandonado a ideia de instalar uma pousada no edifício do santuário, a autarquia procurou chamar a atenção do Governo para recuperar aquele património e definir um novo modelo de utilização do espaço.

Uma pequena estalagem com poucos quartos, além de restauração, cafetarias e áreas comerciais, com lojas de artesanato, são alguns exemplos do que o projecto poderá contemplar, com vista à requalificação da zona envolvente e do próprio santuário, propriedade da Confraria do Cabo Espichel. No entanto, a autarquia continua à espera da decisão da Direcção Geral de Finanças para avançar com "um projecto em que será procurado um financiador privado para a recuperação do edificado".

Património a degradar-se

A autarca lamenta que este património "único no país e na Europa" continue a degradar-se. A expensas próprias, a câmara já realizou algumas intervenções, nomeadamente a requalificação do adro que permitiu acabar com o pó e a lama naquele local e a pintura da fachada do santuário. Mas Felícia Costa sublinha que "são intervenções mínimas" e o Cabo Espichel "precisa de um programa financeiro que permita a recuperação da totalidade do património".

Com o objectivo de requalificar a zona envolvente, construir um parque de estacionamento, colocar iluminação pública e recuperar a Mãe d' Água, a autarquia candidatou um projecto ao QREN que, no entanto, não foi aprovado. Ainda assim, Felícia Costa afiança que a electrificação do Cabo vai avançar em breve e o restante projecto "será realizado faseadamente".

Entretanto, a celebração dos 600 anos da existência da Confraria do Santuário do Cabo Espichel iniciou-se no passado fim-de-semana, com a realização das primeiras Jornadas Etnográficas, e prolonga-se até 2010. "É a celebração da devoção religiosa a Nossa Senhora do Cabo e da riqueza deste património. Foi um lugar de culto muito importante que ao longo dos anos se foi perdendo. Queremos recuperar o vigor desse culto", refere a autarca.