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Fátima «ganha» com a guerra do Líbano

O actual conflito no Médio Oriente já está a desviar parte do turismo da Terra Santa para Fátima. Isto nota-se sobretudo com os peregrinos italianos.

É UM dos efeitos da guerra no Médio Oriente:muitos turistas que tinham planeado peregrinações à Terra Santa estão a ser desviados para Fátima. Esta mudança é especialmente protagonizada pelos peregrinos italianos. Por exemplo, na última quarta-feira, a Scalivete, operadora especializada em turismo religioso, aguardava por um grupo de italianos forçado a trocar uma viagem ao berço do cristianismo por uma visita a Fátima. Outros grupos, também de Itália, anunciavam na mesma altura deslocações ao santuário mariano português, em Agosto.

João Paulo Reis, responsável pela Scalivete em Portugal, empresa que detém 40% do mercado italiano de peregrinos e 25% do alemão, afirma que, neste momento, este movimento se sente apenas em Itália. E que, apesar da guerra, «o mercado alemão não deu qualquer indício de mudança de destino». O facto de Jerusalém, Belém ou Nazaré não terem sido atingidas pela guerra pode explicar esta situação.

Para colmatar o cancelamento da peregrinação a Israel, a Scalivete, responsável pela recepção em Portugal de 18 mil peregrinos todos os anos, propõe um «combinado» de Fátima com Santiago de Compostela (Espanha), o que faz com que «o número de dias e o preço sejam muito semelhantes ao que se pratica na peregrinação à TerraSanta».

João Paulo Reis não tem dúvidas de que, ironicamente, Fátima acaba por beneficiar com a instabilidade no Médio Oriente. Também Salvador Kadosh, director da QuoVadis, agência de viagens especializada em turismo religioso, comunga da mesma opinião. «O mercado do turismo religioso é tão grande que as pessoas divergem para outros destinos de peregrinação. E Fátima, no meu ponto de vista, está notopo», garante, para  acrescentar que  «ninguém troca uma peregrinação à Terra Santa por férias no Rio de Janeiro, mas por outros locais de peregrinação».

  Embora lamentando a situação que se vive em Israel e no Líbano, Luís Miguel Sousinha, presidente da Região de Turismo de Leiria/Fátima, considera que a guerra acaba por «reforçar alguns destinos turísticos em detrimentos de outros». E, neste caso, «Fátima e Roma posicionam-se muito bem entre as escolhas possíveis» no turismo religioso. Por isso prevê que 2006 «seja um excelente ano turístico para Fátima». E que Batalha e Alcobaça, ao nível do turismo cultural, também venham a ganhar com a crise no Médio Oriente.