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Extinção ameaça 23 animais

Está em marcha o Plano de Acção para a Salvaguarda e Monitorização da População de Roazes do Estuário do Sado. O estudo deverá estar concluído até ao final do ano.

Vera Mariano/SemMais Jornal

Um dos aspectos essenciais do documento será a adopção de novas regras para disciplinar a náutica de recreio e o novo percurso dos ferry-boats de Tróia que atravessa as rotas dos golfinhos no estuário.

A população de roazes do Estuário do Sado, constituída actualmente por apenas 23 animais, "corre sérios riscos de extinção, dentro de dez a 15 anos, caso não sejam tomadas medidas urgentes". O alerta é da bióloga marinha Raquel Gaspar que estuda de perto esta população há mais de 20 anos e que deu um contributo para as entidades presentes na primeira sessão de trabalho de elaboração do plano conhecerem um pouco melhor os roazes do Sado.

Segundo os estudos efectuados pela bióloga, a comunidade de roazes tem vindo a envelhecer e a diminuir progressivamente nos últimos anos. Actualmente, tem 17 elementos adultos, mas destes apenas três são jovens. "Todos os anos nascem crias, mas a proporção das que sobrevivem até à idade adulta é muito baixa. A população vai continuar a decrescer porque só tem três adultos jovens, com capacidade para se reproduzirem. Não podemos fazer nada contra isto, podemos é não piorar as condições em que vivem".

Um dos principais problemas que se debate esta população, para além da poluição provocada pela pressão industrial na margem norte do Sado, é a actividade "desregrada" da náutica de recreio. Mais recentemente, outra ameaça se afigura com o novo percurso dos ferry-boats entre Setúbal e Tróia a interferir na principal rota dos golfinhos, no canal sul, onde o alimento é mais rico, mais abundante e diverso.

Por isso, o ambientalista da Quercus, Francisco Ferreira, considera que para já o plano de acção deve definir "as medidas de curto prazo e imediatas, que podem ser implementadas desde já". Em relação à actividade da náutica de recreio, considera vital a definição de "corredores para as pequenas embarcações, com trajectórias definida" para que não interfiram na rota dos animais. "Estas embarcações chegam a fazer verdadeiras perseguições aos golfinhos e podem constituir um problema maior do que os ferries", sustenta. Quanto à trajectória dos ferries, o ambientalista sublinha que devem ser encontradas soluções para minimizar os riscos para a comunidade de roazes do Sado, discussão para a qual contribuirá a empresa Sonae Turismo, que também faz parte deste grupo de trabalho.

Também a directora do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas como Zonas Húmidas do ICNB, Maria João Burnay, acredita na possibilidade de se encontrarem soluções de consenso para minimizar o problema. "Não se podem ir fazer travessias para cima das rotas dos golfinhos. Temos de encontrar soluções concretas para minimizar o problema e é para isso que estamos aqui". Burnay realça a presença da Sonae entre as entidades que estão a elaborar o plano e está convicta que será possível chegar a um entendimento com a empresa, proprietária do empreendimento turístico de Tróia e dos novos ferries.