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Évora colhe órgãos para transplante

O Hospital do Espírito Santo, em Évora, realizou a primeira colheita de órgãos para transplantes no Alentejo.

  A PRIMEIRA colheita de órgãos para transplante efectuada em hospitais alentejanos foi concretizada na passada quarta-feira no Hospital do Espírito Santo (HES), em Évora, apurou o «Diário do Sul». Trata-se de um processo extremamente complexo que só agora as equipas médicas conseguiram operacionalizar na região.

«Identificámos um dador, procedemos à colheita e os órgãos foram transferidos para Lisboa de modo a serem utilizados», confirma o director clínico do HES, Manuel Carvalho, acrescentando que neste caso particular foram efectuadas colheitas de coração, fígado e rins, precisamente «os órgãos mais requisitados a nível nacional». De acordo com o mesmo responsável médico, «é muito importante que todas as oportunidades para colher órgãos sejam aproveitadas, pois até aqui não era possível fazê-lo em hospitais como o nosso».

Foi assim aberta uma janela de oportunidade ao hospital de Évora, dando mais um contributo para salvar vidas. «A partir de agora, sempre que se identificar a existência de outro dador, iremos accionar todos os mecanismos para que os órgãos aqui colhidos possam dar vida a outras pessoas que a têm ameaçada», assegura Manuel Carvalho. «Depois de feita a colheita, os órgãos são dirigidos para os vários centros, a nivel nacional, de transplantação hepática, cardíaca e renal»,  explica por sua vez a directora do Gabinete Regional de Órgãos para Transplante, Maria João Aguiar. «Temos de valorizar a dádiva, fazendo os possíveis para manter as condições físicas do corpo do dador, para que a família possa fazer o seu luto», sustenta a referida directora.

 Q ualquer pessoa pode doar os seus órgãos, para um doente que necessite. E, segundo Manuel Carvalho, é viável recolher um determinado órgão numa unidade de saúde e efectuar o transplante a centenas de quilómetros de distância. «Para que este processo seja possível, contamos com uma base de dados a nível nacional onde a compatibilidade é assegurada , de forma a saber quem está em melhores condições de receber um órgão específico», sublinhou.

A colheita só é efectuada quando se confirme a morte cerebral do dador. «Para todos os efeitos legais e médicos, a pessoa está morta e a partir daí os nossos esforços são para tentar que os órgãos continuem a funcionar durante algumas horas, até ser possivel fazer o acto de colheita», garante o director clínico do HES.