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Derrota da Iberdrola deixa Guarda inquieta

Investimento de €100 milhões anunciado para o distrito em causa com terceiro lugar no concurso de atribuição de potência eólica lançado pelo Governo.

MAIS DE 1.300 candidatos a um emprego e algumas freguesias do concelho da Guarda tiveram, na semana passada, uma péssima notícia. A candidatura liderada pela Iberdrola e Gamesa foi terceira classificada no concurso de atribuição de potência eólica lançado pelo Governo, o que deverá inviabilizar um investimento de €100 milhões previsto para o município. A última esperança dos responsáveis do consórcio Novas Energias Ibéricas (NEI) está agora numa eventual repescagem de um dos concorrentes preteridos nesta primeira fase.

O mesmo espera o presidente da câmara, Joaquim Valente, para quem «ainda nada está perdido» quanto ao projecto industrial do consórcio. As líderes ibéricas neste sector tinham escolhido a Guarda para localizar uma unidade de produção de componentes e montagem de aerogeradores, um centro logístico e um centro de despacho de energia eólica para Portugal e as regiões espanholas vizinhas.

O consórcio previa criar 300 novos postos de trabalho directos neste «cluster», que se prolongava em Paços de Ferreira com duas fábricas para produzir pás e electrónica de potência. «É prematuro dizer que a cidade perdeu o investimento. É apenas o relatório de avaliação das propostas, os concorrentes vão recorrer concerteza e ainda pode haver alterações, para além de que o próprio Governo pode contratualizar directamente com os concorrentes», disse o autarca, acrescentando que esta classificação é referente a um lote. «Há mais em jogo», garante.

Até há uma semana, a Iberdrola tinha recebido mil candidaturas a empregos naquelas unidades, enquanto o Centro de Emprego da Guarda tratou perto de 300 processos. Tudo fica agora pendente. Em pior situação estão algumas das freguesias com maior aptidão para parques eólicos, já que as Juntas nessas condições assinaram um acordo com as Novas Energias Ibéricas que inviabiliza a utilização dos terrenos em causa por outras empresas do sector.

Interesse público pode ditar repescagem de concorrentes

Um impedimento que vai causar graves prejuízos financeiros a Juntas como Vale de Estrela ou Fernão Joanes, entre outras, anteriormente abordadas para acolherem projectos de aproveitamento eólico. O caso já foi comunicado à câmara da Guarda, que nada poderá fazer até se confirmar se a Iberdrola continua ou não na corrida.

Mesmo assim, qualquer revogação já virá tarde para o concelho que está a ver escapar para os vizinhos os milhões da energia eólica. Contudo, há uma pequena réstia de esperança. O interesse do consórcio na Guarda pode manter-se, já que, segundo os promotores, a Gamesa tem «sub-capacidade de produção instalada» e encomendas para os próximos oito anos.

Menos confiante está José Gomes. Para o vereador do PSD, esta decisão confirma que os promotores «andaram com o «carro à frente dos bois». E acrescenta: «É muito mau para a Guarda e um retrocesso para a política defendida pela actual maioria [PS] na Câmara», dizendo ter havido «demasiada auto-promoção» do consórcio, o que denunciava «a necessidade de fortalecer as suas propostas». José Gomes diz ainda ter ficado claro que a candidatura se «agarrou a uma região, mas esta não foi capaz de lhe dar mais-valia».

Oficialmente, as Novas Energias Ibéricas reagiram em comunicado para afirmar que o consórcio só se pronunciará sobre a avaliação das propostas quando analisar em detalhe a decisão do júri.

«O consórcio NEI analisará detalhadamente os termos das avaliações do júri, em todas as suas dimensões (técnicas, jurídicas, entre outras) reservando, por agora, a sua apreciação para um momento posterior», refere a nota. O relatório de avaliação das propostas para a fase A

do concurso, que implica a atribuição de potência eólica entre 800 e 1.000 megawatts (MW), admitiu à fase de negociação o consórcio liderado pela EDP (Eólicas de Portugal) e pela Galp (Ventinveste). Em terceiro lugar ficou o consórcio liderado pela Iberdrola e em quarto o consórcio liderado pela Enel e Unión Fenosa (Ventonorte).

De acordo com os termos do concurso, o júri vai submeter o relatório a audiências dos interessados, fixando o prazo de 10 dias úteis para que os concorrentes se pronunciem sobre as avaliações. Findo esse prazo, será divulgada a lista final dos concorrentes que passam à negociação final. Apesar de ter admitido nesta fase apenas dois concorrentes à negociação para a Fase A do concurso, esse número poderá vir a ser alargado se o júri considerar que há vantagem para o interesse público na fase da negociação, durante a qual os concorrentes deverão melhorar as suas propostas com o objectivo de ganhar o concurso. Em última análise, ainda podem recorrer das deliberações do júri do concurso para o ministro da Economia.