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"Chapéu preto" chega ao país do sol nascente

O músico Arlindo de Carvalho tinha regressado de uma digressão a França quando foi surpreendido pelo interesse da equipa da televisão japonesa.

José Furtado/Reconquista

Ao contrário do que reza o refrão do "Chapéu preto", não é mentira, não senhor. Arlindo de Carvalho vai chegar ao Japão através da televisão daquele país, que se deslocou ao distrito de Castelo Branco para gravar um programa com o músico natural da Soalheira.

Após 22 dias de digressão em França, Arlindo de Carvalho regressou a Lisboa onde tinha um recado à espera. Uma equipa da NHK, a televisão pública japonesa, andava a tentar contactá-lo há vários dias. "Andei uma semana atrás de si", recorda Artur Cardoso, o português que fez a ponte ao nível dos contactos.

O músico de 78 anos já se habituou a ver as suas composições ultrapassarem fronteiras, mas nunca pensou que seria o motivo da deslocação de uma equipa da televisão japonesa. "Fiquei muito surpreendido (...) não me considerava uma pessoa assim tão famosa", diz bem-disposto. 

Arlindo de Carvalho nunca esteve no Japão, mas sabe que a sua música é cantada no país do sol nascente e em outros 34 países. Tudo graças aos direitos de autor. "Nos direitos de autor o país ao qual diz respeito vem com um número" explica. Mas esse número não revela quem canta e por isso Arlindo de Carvalho já solicitou à Sociedade Portuguesa de Autores para encontrar o paradeiro dos seus intérpretes no Japão.

Yumiko Hori, a coordenadora e intérprete da equipa da NHK, explica que o programa tem 30 anos de emissões no Japão e está pela primeira vez em solo luso para gravações. Para mostrar Portugal os produtores escolheram dois autores: Arlindo de Carvalho, como representante da música de raiz popular e Frei Manuel Cardoso, compositor do séc. XVI, mais ligado à música erudita.

A equipa da NHK esteve no último domingo na freguesia fundanense da Soalheira, a terra natal de Arlindo de Carvalho. Durante a manhã filmou-o em sua casa e este mostrou como é que compõe as suas músicas. Após o almoço, deslocou-se a uma quinta para gravar algumas cenas de campo. A ruralidade marcou a infância e juventude do músico da Soalheira, que transpôs essa marca para muitos dos seus temas, como o bem conhecido "Chapéu preto". Aquela que é uma das suas músicas mais conhecidas é aliás o tema em torno do qual gira o documentário da televisão nipónica.