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Bombarral e Cadaval regulam iluminação

LeaderOeste lança projectos com energias renováveis.

UM PROJECTO de instalação de reguladores de fluxo luminoso em sistemas de iluminação pública, a criação de um edifício inteligente e de uma central de biomassa, foram algumas das propostas avançadas pela associação de Desenvolvimento Rural LeaderOeste para esta região, na área da eficiência energética e da energia renovável. Estes e outros temas foram debatidos nas Caldas da Rainha, num seminário que reuniu diversos especialistas na área das energias alternativas.

Tendo em conta que o consumo de energia nos sectores dos serviços, comércio, sector público e transportes, representa actualmente mais de 50% do consumo de energia, a LeaderOeste está a desenvolver dois projectos para a instalação de 10 reguladores de fluxo luminosos nos municípios do Bombarral e Cadaval.

Trata-se de regular a intensidade da iluminação pública em função das horas de maior frequência das ruas, bairros e avenidas.

O custo previsto é de cerca de €70 mil por município e, de acordo com José Coutinho, da LeaderOeste, este investimento permitirá a redução da factura energética em 30% pois prolonga o tempo de vida útil das lâmpadas e, consequentemente, os seus custos de manutenção.

«A fase de estudos está implementada, agora estamos a colocar o equipamento de forma a que daqui por três meses esteja a funcionar», afirmou José Coutinho, acrescentando que a escolha destes concelhos se ficou a dever ao facto de serem pequenos e terem necessidade de se tornar eficientes. «E como têm cargas de consumo muito semelhantes aos urbanos e não têm as mesmas fontes de rendimento, estão muito mais predispostos para estas situações», rematou.

E porque os semáforos existentes nestes dois concelhos estão dispersos territorialmente e consomem muita energia, esta associação tem um projecto para a substituição das actuais lâmpadas um novo equipamento (leeds) que permite poupar «80% da factura energética de cada um».

Ao nível das energias renováveis, a LeaderOeste apresenta propostas nas áreas da biomassa, energias hídricas e fotovoltaica. Neste último caso, a ideia assenta na criação de um edifício inteligente que incorpore diversas tecnologias de eficiência e produção energética, de forma a funcionar como montra tecnológica para os agentes regionais. Este projecto será implementado na Cooperativa de Artes e Profissões Tradicionais do Oeste (CAPTO) que, além do seu funcionamento normal, reunirá optimizações ao nível de climatização e ventilação e luminosidade. Terá ainda produção eléctrica através de painéis fotovoltaicos e calor através do usos de painéis de solar térmico. O seu custo estimado é de €200 mil.

Outro projecto com recurso à energia fotovoltaica (mais ambicioso e que não está previsto arrancar brevemente) é o da criação de uma central de biomassa que consiste em aproveitar os resíduos provenientes de actividades do sector primário (sobretudo madeiras) que são triturados, compactados e transformados em estilha e briquetes sendo depois utilizados, por exemplo, em lareiras e jardins.

A LeaderOeste está também a tentar, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica (IDRHa), instalar uma mini-hidrica na barragem do Arnóia para a produção de energia eléctrica. «Temos já um pedido prévio feito à Direcção Geral de Energia que, tanto quanto sabemos, está viabilizado e que necessita só da formalização do protocolo com o IDRHa para ser encaminhado», explicou José Coutinho. Este equipamento terá uma potência na ordem dos 300 KVA’s (dependendo do caudal) que terá grande utilidade na redução dos custos de tratamento da água para o perímetro de rega.

«Vamos também poupar aos agricultores o que teriam que pagar em tratamento pois a água estará muito mais tratada devido ao efeito das pás», sustentou.

Neste colóquio, que teve lugar no auditório da Extensão da Escola Superior de Biotecnologia das Caldas da Rainha, Manuel Santos, do GEOTA, começou por afirmar que o Oeste tem um grande potencial ao nível das energias renováveis. «Há 30 anos fez-se história», lembrou, referindo-se ao papel preponderante na política energética nacional ao rejeitar o nuclear. Na sua opinião, «hoje a economia desta região seria bem diferente, e para pior, se o povo de Ferrel não se tivesse mobilizado e repudiado um futuro incerto, com as frutas e legumes eventualmente desvalorizados pelo seu teor radioactivo».

Este responsável destacou ainda que a nossa sociedade é «muito mais dependente de energia do que aparentemente mostra» e que  neste momento começam a «surgir problemas de abastecimentos logísticos que, devido aos custos de energia, começam a ser problemáticos».

Defendeu que a eficiência energética é uma condição de sustentabilidade económica e que a alternativa passa, em primeiro lugar, por gastar menos energia e apostar nas energias renováveis. Mas, para que isso aconteça,  «tem que haver uma abertura de mentalidades, um despertar para o problema», concluiu o orador.