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Bairro dos construtores da barragem em degradação acelerada

O conjunto imobiliário foi construido para alojar os trabalhadores que construiram a barragem de Picote e chegou a alojar umas 4200 pessoas na década de 60. Hoje está ao abandono

Os habitantes do Barrocal do Douro, anexa da localidade de Picote, no concelho de Miranda do Douro, exigem a conservação dos imóveis que alojaram centenas de pessoas na década de 60.

O local, criado entre 1953 e 1958, pela Hidouro, foi considerado, em tempos, a “cidade ideal”, uma vez que os imóveis ali instalados eram revolucionários para a época, como é caso os bairros dos Engenheiros, Brancos e Verde, capela e pousada.

Os mentores do projecto, Archer de Carvalho, Nunes de Almeida e Rogério Ramos, conceberam um local com excelentes condições residenciais, dotando-o de infra-estruturas únicas naquela época.

o tinha a capacidade para acolher os cerca de 4200 pessoas que ali habitavam na década de 60.

Há cerca de uma década, as arquitectas Fátima Fernandes e Michele Cannata publicaram um estudo (“O Moderno Escondido”), em que se revelava a importância artística destas construções. E na sequência dessa investigação, pretende-se que Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) reconheça o local, que incluiu a barragem e o conjunto habitacional, como um sítio de interesse. No entanto, “este processo ainda está em fase de instrução, pelo que é prematuro falar em classificação”, informou uma fonte do IPPAR.

A partir do referido estudo, o Barrocal do Douro e as suas construções têm despertado a curiosidade de muitos arquitectos.

“Há 50 anos, o bairro proporcionava boas condições de vida, mas foi-se degradando com as reformas e transferência de pessoal para outras barragens”, observou um dos actuais moradores, Justiniano Pinto.

Os residentes questionam, ainda, porque é que não se aproveitam os equipamentos para a promoção do turismo. Segundo António Amaral, outros dos habitantes e que ali chegou em 1953, "hoje já não se vêem construções como estas”.

Na opinião do presidente da Faugua- Associação para o Desenvolvimento Integrado  de Picote, António Barbolo, os responsáveis da EDP deveriam preocupar-se mais com a degradação que assola o local. “Há sinais de decadência e mostramo-nos interessados na classificação do local por parte do IPPAR de forma a evitar o abandono”, sublinhou o responsável.