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Argozelo reclama apoio domiciliário

Apesar do Lar disponibilizar refeições a toda a população necessitada, há pessoas que já não têm forças para se deslocarem à instituição.

O CENTRO Social e Paroquial Nossa Senhora das Dores (CSPNSD), em Argozelo (Vimioso), não presta apoio domiciliário, uma situação que desagrada à população com dificuldades de mobilidade.

Os idosos que têm condições para viver nas suas casas, mas sentem dificuldades na realização das tarefas diárias, nomeadamente na confecção de refeições e na execução das limpezas, gostariam que o Centro Social efectuasse estes serviços.

Além disso, a limpeza das habitações e o tratamento da roupa também acaba por ficar à responsabilidade das pessoas idosas que, na maioria das vezes, se vêem obrigadas a pedir ajuda aos vizinhos e a pessoas amigas.

Na óptica de Maria Ferreira, uma habitante de Argozelo, o CSPNSD deveria prestar apoio domiciliário, uma vez que as pessoas da vila vão envelhecendo e muitas delas precisam, apenas, de apoio em determinadas tarefas.

 «Eu não vivo cá e, neste momento, vou ter que resolver a situação do meu pai, recorrendo a uma pessoa amiga. A minha mãe faleceu há 15 dias, o meu pai ainda é autónomo e pode dormir na casa dele, mas precisa que lhe venham limpar a casa», acrescentou esta habitante.

Quanto à responsabilidade da família cuidar dos seus idosos, Maria Ferreira afirma que o pai está muito ligado à terra onde nasceu e, para além disso, é doente de Alzheimer.

«Foi o próprio médico que o aconselhou a permanecer em Argozelo, porque uma mudança para outra localidade poderá ser um choque para ele», salientou esta familiar do octogenário.

Mas este não é o único caso na vila que precisa de auxílio. Francisco do Fundo, de 87 anos, vive com a esposa de 84 anos e também reclama este tipo de apoio. Com o peso da idade já tem algumas dificuldades em se movimentar, pelo que não consegue deslocar-se ao Centro Social para tomar as refeições.

Após a partida dos filhos em busca de uma vida melhor, este casal afirma que não tem a quem pedir ajuda. «Ficámos cá sozinhos. Com a idade torna-se cada vez mais difícil. As limpezas lá as vou fazendo, mas a comida, às vezes, fica com sal a mais e, outras vezes, com sal a menos», lamenta Maria Afonso.

Na óptica de Maria Ferreira, em Argozelo há muita gente que precisa de apoio domiciliário. No entanto, questionada sobre as razões da ausência desta valência responde que não sabe se o lar terá capacidade para prestar este serviço à população.

Confrontado com esta situação, o presidente da direcção do CSPNSD, cónego João Gomes, afirmou que, neste momento, a instituição não tem recursos humanos suficientes para disponibilizar esta valência, uma vez que há cada vez menos voluntários e os recursos financeiros não são suficientes para aumentar o número de funcionários.

Além disso, o responsável acrescentou que não considera necessário prestar apoio domiciliário na vila, uma vez que o Centro Social já disponibiliza um serviço de refeições bastante alargado e a família também não pode abdicar das suas responsabilidades no tratamento aos idosos.

«Há muitas pessoas que se deslocam à nossa instituição para tomarem as refeições e depois vão à sua vida», realçou o cónego João Gomes, adiantando que se no futuro a instituição conseguir pessoas a trabalhar em regime de voluntariado, a valência de apoio domiciliário «poderá ser instituída».