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Aperta-se a fiscalização à aguardente de medronho

Produtores dizem que o "rigor desmedido" dos fiscais pode prenunciar o fim desta actividade tradicional na Serra algarvia. .

Ainda mal refeitos da devastação dos incêndios, nos últimos anos, os produtores algarvios de aguardente de medronho estão agora sob forte pressão dos fiscais e já se percebeu que só uma minoria tem a sua produção licenciada.

Em 2001, e segundo dados do Ministério da Economia, existiam 266 produtores de aguardente de medronho registados no Algarve, na sua maioria nos concelhos de Loulé, Silves, Tavira e Monchique. Entretanto, foi lançado há dois anos um processo de legalização, através das autarquias, mas a maioria dos produtores continua na clandestinidade.

A Alfândega de Faro, que é a entidade fiscalizadora nesta área, reforçou as acções de fiscalização  e terá apanhado em flagrante várias destilarias. “Até aqui vinhamos a desenvolver uma acção pedagógica, mas agora temos de fazer cumprir as regras”, disse-nos uma fonte da alfândega.

Para os pequenos produtores, este agudizar da pressão fiuscalizadora pode signifiar o prenúncio do fim da sua actividade. “O rigor das autoridades é desmedido e, na maioria dos casos, apanharam menos de 150 litros a cada. Ou seja: trata-se de pessoas que podem nem sequer comercializar a aguardente e apenas a produzem para consumo próprio", refere José Duarte, presidente da Associação de Produtores de Medronho de Monchique. Isto será sobretudo grave porque  “os produtores ainda estão na ressaca dos incêndios de 2003 e 2004 e, por isso, a produção é mínima”, acrecentou, sublinhando que "só dentro de dois ou três anos a produção de medronho vai recuperar”.

Condições difíceis de cumprir

Ainda de acordo com o presidente da associação produtores, apenas estão licenciadas meia dúzia de destilarias em Monchique.Jo sé Duarte admite que o licenciamento das destilarias vai dar mais visibilidade ao medronho, mas, por outro lado, realça que “os pequenos produtores não têm estruturas para engarrafar e comercializar a aguardente, pois têm muita dificuldade em cumprir as condições exigidas”..

No concelho de Tavira, porém, s egundo Macário Correia, os processos de legalização estão a decorrer a bom ritmo. “Os produtores de medronho estão empenhados em ter as coisas em ordem e têm trabalhado nesse sentido com o apoio da autarquia”, afirmou o presidente da Câmara, acrescentando que se trata de uma produção artesanal, “feita muitas vezes sem as regras formais e administrativas em ordem”.

Já o director regional da Agricultura, Castelão Rodrigues, embora admitindo algumas dificuldades nos processos de legalização, frisou que a licença é uma garantia dada ao consumidor de que está a comprar um produto de qualidade e que obedece às normas de segurança.