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Ano muito mau para a lampreia

Os pescadores tradicionais afirmam que este está a ser o pior dos últimos anos, quanto ao número médio de capturas. E, como mandam as leis do mercado, a escassez fez disparar os preços para valores proibidos às bolsas normais.

José Gil é  natural da freguesia de S. Pedro,  tem 73 anos, pesca lampreia há cerca de 60 e afirma que não se lembra de um ano tão mau como este. "Em 2006, por esta altura, pescávamos três ou quatro vezes mais", conta.Os restantes pescadores, com lugar de atracação no Portinho da Gala, queixam-se do mesmo. Resultado: os preços dispararam para valores inacessíveis para a maioria dos bolsos.

Janeiro foi um mês que não será fácil de esquecer, por tão mau. Mas Março, quando se regista um maior movimento do ciclóstomo, poderá salvar a época. Pelo menos é isso que esperam os pescadores. Entretanto, "quem captura mais de cinco lampreias por maré, já se pode dar por feliz, mas a maioria chega com as mãos a abanar". Em 2006, "a partir de meados de Fevereiro, capturavam-se 80 ou 90 exemplares", revela o septuagenário.

Artur João, 33 anos, é mais novo, mas já se dedica à pesca da lampreia há sete anos. E faz suas as palavras de José Gil, sem deixar de exibir com satisfação as cinco lampreias que lhe pagam uma maré de trabalho.

A lei do mercado é inexorável. Em Janeiro de 2006, os pescadores figueirenses começaram a vender lampreias a €25 cada. Em Março, porém, o preço caiu para €5. Este ano, já há quem as venda a €35. Não se prevê, no entanto, que, em relação ao ano transacto, a oferta dê os mesmos argumentos à procura.

A época da lampreia começa a 1 de Janeiro e termina a 15 de Abril. Nos restaurantes da região, uma dose (menos de meia lampreia) custa entre €20 e 30. "Quem leva a maior fatia são os intermediários!", invectiva José Gil.

Na Figueira, calcula-se que existam entre 60 e 70 botes e mais de uma centena de pescadores especializados. Alguns deles aproveitam a paragem biológica da sardinha para se dedicarem à captura de lampreia no Mondego.

A lampreia é um ciclóstomo que, nesta época do ano, abandona o mar para desovar o mais perto que puder da nascente do rio. A falta de chuva, ou seja de água doce no estuário, tem atrasado o ciclo. Depois da desova, acaba por morrer, durante a viagem de regresso ao mar.