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Amor em pé de guerra

Dizem carecer de infraestruturas básicas e acusam a Câmara de levar a água e lhes 'devolver' os efluentes das criações de porcos.

É a primeira resposta da população de Amor (Leiria), face à intenção da Recilis em construir a estação de tratamento de efluentes suinícolas na freguesia: nasceu esta semana o 'Movimento Amor Saudável'.

A partir de uma reunião de 70 habitantes da freguesia - sequência de outra, no dia 7, com a presença de 200 - começou logo a circular um abaixo-assinado sob o lema  'Amor Saudável'. E, de  imediato também, o 'Movimento' prometeu inundar a freguesia de cartazes contra a obra.

Outras acções, contudo, estão a ser ponderadas, como uma marcha lenta até à cidade de Leiria, ou uma vigília. Foi ainda sugerida a anulação dos contratos-promessa já efectuados com a Recilis e a compra dos terrenos, sobre os quais incidem, pela população local.

Dos encontros resultou uma certeza: a população promete não parar até que a Recilis desista da ideia da ETAR.

“Passa aqui o gás natural e não temos gás; passa aqui a auto-estrada; querem instalar uma estação de tratamento e não temos saneamento; e até nos vêm, agora, buscar a água para abastecer Leiria”. Estas foram algumas das queixas expressas pela população de Amor, na última semana.

Acresce, ainda, o facto de acusarem a Recilis de rubricar contratos-promessa de compra e venda, com os proprietários dos terrenos onde está projectada a estação de tratamento, sem lhes revelar, em concreto, o fim a que se destinavam. “Nunca me disseram que era para a ETAR [estação de tratamento de águas residuais] dos Milagres: apenas se referiram a saneamento”, afirmou uma moradora.

 Já outro habitante confirmou terem-lhe falado que os terrenos eram mesmo para uma ETAR, embora não dissessem que era para tratar efluentes suinícolas. “Para mim, a venda do terreno foi um alívio”, considerou o mesmo habitante, admitindo que a eventual rescisão do contrato-promessa é “uma questão a ponderar”.

Junta ameaça demitir-se

Foram muitos os populares que não pouparam críticas ao comportamento da Junta e da Assembleia de Freguesia, exigindo-lhes que liderem o movimento. “Não podemos andar com ‘paninhos quentes’ com a Junta”, disse um dos presentes.

Adelino Fernandes, presidente da Junta de Freguesia de Amor, garante que a autarquia está ao lado da população, mas sublinha: “Não nos podem pedir que nos pronunciemos, sobre um projecto que desconhecemos”.

Afirma ainda que, logo que houve conhecimento da aquisição de terrenos, foi a própria Junta a pedir esclarecimentos à Recilis. E acrescenta: “No momento em que a população for desrespeitada, nós demitimo-nos”.

Entretanto, David Neves, presidente da Recilis, empresa de Tratamento e Valorização de Efluentes, prometeu prestar todos os esclarecimentos à população, quando receber o estudo de impacto ambiental. Mas, ao final do dia e a pedido da Junta de Freguesia, comprometeu-se a comparecer em Amor, para debater o projecto, já nos próximos dias.

A este jornal relembrou que se trata de um projecto “demasiado importante” para a região, embora acredite que o pensamento das pessoas se possa resumir ao seguinte: “As ETAR são as melhores do mundo, quando estão na terra dos outros”.

Quanto à acusação de que a Recilis assinou contratos-promessa de terrenos sem revelar a que  fim se destinavam, o responsável rejeita. “Não é verdade. As pessoas estão a especular”.