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Algarve quer pôr transgénicos ao largo

Vila do Bispo e Lagos proibem cultivo de plantas geneticamente modificadas.

A REGIÃO do Algarve  está no bom caminho para vir a ser considerada uma zona livre de transgénicos. Na semana passada, os autarcas de Vila do Bispo juntaram-se aos seus vizinhos de Lagos e proibiram o cultivo de plantas geneticamente modificadas nos dois concelhos. Em Abril, os 16 municípios já tinham manifestado a intenção de não permitir a entrada desta nova aplicação tecnológica na totalidade da região

Nas deliberações aprovadas, os órgãos autárquicos justificam as suas posições com a «inevitável contaminação que o cultivo de transgénicos acarreta».

Apesar de os argumentos a favor desta tecnologia destacarem o cultivo de plantas mais resistentes a insectos, pesticidas, fungos e vírus, os autarcas de Vila do Bispo e Lagos consideram que os transgénicos representam uma forma de poluição irreversível e definitiva, com consequências potencialmente graves e ainda não estudadas para o equilíbrio ecológico de ecossistemas agrícolas e selvagens.

Além disso, os órgãos municipais de ambos os concelhos das Terras do Infante sublinham que «não existe perspectiva histórica nem experiência acumulada suficiente para uma decisão segura». Por outro lado, o documento aprovado por unanimidade pela Assembleia Municipal de Lagos salienta que «testes laboratoriais já demonstraram que o consumo de plantas geneticamente alteradas pode provocar alterações do equilíbrio metabólico dos seres vivos».

Ainda de acordo com a assembleia municipal lacobrigense, a preservação do ambiente «não pode ser colocada em causa com o cultivo de plantas geneticamente modificadas», numa região que se quer afirmar internacionalmente como destino turístico de qualidade.

Recorde-se que a Comissão Europeia já aprovou até agora 17 variedades de milho geneticamente modificadas para cultivo no espaço comunitário. No entanto, tudo parece bem encaminhado para que os 16 municípios da região do Algarve sejam considerados zonas livres de transgénicos. Isto porque, em Abril deste ano, a própria Junta Metropolitana do Algarve (AMAL) decidiu por unanimidade recusar a introdução, na totalidade do território regional, da cultura de plantas geneticamente modificadas.

Tratou-se de uma decisão única no país e os argumentos utilizados foram, mais uma vez, de ordem ambiental. A associação de 16 municípios liderada por Macário Correia assegurou que esta decisão não irá alterar-se «enquanto as autoridades científicas nacionais e internacionais não derem garantias totais de segurança dos seus efeitos na natureza».

Deste modo, o Algarve é uma das regiões europeias que mais se opõe ao cultivo de transgénicos. Em França, são mais de 2000 os municípios que tomaram a mesma posição e, no Reino Unido, há já 14 milhões de pessoas a viver em zonas que se declararam livres desses cultivos. Outros países como a Áustria, a Alemanha e a Espanha também estão a encetar esforços para travar o avanço dos transgénicos em diversas regiões.