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Alerta de tsunamis testado no Algarve

Um sistema pioneiro na Europa de alerta contra tsunamis foi há dias instalado ao largo de Sagres, a uns 100 quilómetros da costa. As costas algarvias são das mais vulneráveis na Europa a este tipo de catástrofes naturais.

Sensores no mar e bóias que emitem informações sobre a chegada de uma onda gigante (tsunami) foram instalados na semana na costa algarvia, a cerca de cem quilómetros de Sagres. Os dados a recolher por este sistema pioneiro, ao nível da Europa , vão permitir identificar sinais de terramotos e tsunamis e avisar as populações ribeirinhas a tempo, espera-se, de minorar as consequências das maiores castástrofes.

As formas de prevenir os banhistas, por exemplo, são várias, mas destacam-se um toque específico de sirene nas praias, definido previamente como ordem de evecuação, mensagens de telemóvel com a mesma indicação, ou, especialmente, informações a difundir na rádio e na televisão.

"Nas costas do Pacífico já existem há muito sistemas semelhantes, que têm vindo a ser aperfeiçoados nas últimas décadas. Mas em todo o Atlântico e Mediterrâneo não havia ainda nenhum sistema de alerta precoce de tsunamis”, revelou Fernando Carrilho, director do departamento de sismologia do Instituto de Meteorologia (IM).

Esta lacuna está prestes a ser colmatada com a instalação ao largo de Sagres da primeira estação marítima experimental de alerta de terramotos e tsunamis para a Europa,.   Segundo o especialista do IM, que vai trabalhar nesta experiência financiada pela União Europeia, em conjunto com a Universidade de Lisboa e entidades italianas, espanholas, alemãs e marroquinas, “a costa algarvia é uma das mais vulneráveis de toda a Europa a estes fenómenos naturais".

O sistema funciona mediante um conjunto de sensores sísmicos e de pressão colocados no fundo do mar, a cerca de três quilómetros de profundidade e que permitem calcular a altura da coluna da água. Ou seja: "Será possível medir as variações do nível do mar e, se houver uma passagem de uma onda gigante, será detectada por esses sensores., ligados a uma bóia à superfície. A bóia está equipada com painéis solares para alimentar a bateria, que emite todas informações, através de satélite, para terra”, explicou ao nosso Jornal Fernando Carrilho.

O director do departamento de sismologia do IM realçou, porém, que se trata ainda de um protótipo e que o objectivo “não é montar já um dispositivo operacional, mas mostrar que é possível prever tsunamis e alertar as populações dos riscos”. A estação-p iloto (Geostar) tem um tempo de vida útil de 12 meses, ao fim do qual terá de ser recolhida.

Para além de ser uma zona de elevado risco sísmico e aberta a inundações marítimas, as razões que levaram à escolha do Algarve para base deste projecto prendem-se também com o facto de a região acolher regularmente milhares de turistas de várias nacionalidades.