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Águas do Guadiana têm pouco chumbo

Os níveis daquele metal pesado detectados no último curso do rio e respectivos afluentes não atingem níveis de toxicidade.

Domingos Viegas/Jornal do Algarve

Esta foi a conclusão de um estudo realizado recentemente pelo INETI (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação), no âmbito do projecto UTPIA - Utilização do Chumbo como Indicador de Vulnerabilidade Ambiental na Faixa Piritosa Ibérica. "Apesar de muitas vezes as concentrações de chumbo serem elevadas nas mineralizações, não há uma transferência para os seres vivos que seja muito evidente", revelou ao Jornal do Algarve a investigadora do INETI Maria João Batista.

"O elemento é pouco móvel e, pelo menos nos meios e nas circunstâncias em que as análises foram feitas, não nos apercebemos de qualquer perigosidade", completou aquela especialista, adiantando, também, que o estudo deverá ter continuidade. "Para nós, este estudo começou agora e não terminou com a obtenção destes resultados. Por isso, já efectuámos uma nova candidatura, neste caso a um programa transfronteiriço, para continuar os trabalhos e passar para a fase da saúde pública propriamente dita, isto de forma a perceber definitivamente que, de facto, não existe qualquer relação causa efeito", explicou Maria João Batísta.

O estudo incidiu no último troço do rio Guadiana, entre a albufeira do Chança e Vila Real de Santo António, tendo sido também alargado às zonas de costa de ambos os lados da fronteira. No lado português mereceram especial destaque as ribeiras de S. Domingos e de Oeiras e a foz do Guadiana, enquanto no lado espanhol a área em estudo foi estendida até à zona de Huelva. Os trabalhos foram levados a cabo por uma equipa luso-espanhola composta por especialistas do INETI e colaboradores da Universidade do Algarve, Universidade de Huelva, Universidade de Aveiro, Instituto Superior de Agronomia, Instituto Geológico e Mineiro de Espanha (IGME) e da Geomedic, empresa ligada aos serviços geológicos britânicos.

O objectivo do projecto foi caracterizar a distribuição e transporte, para a costa, de metais pesados, em especial o chumbo. Para este efeito, foram efectuadas análises químicas, bioquímicas e isotópicas a águas (fluviais, marinhas e subterrâneas), solos (em dois horizontes), sedimentos, plantas (raízes e parte aérea), rochas e mineralizações e bivalves (fluviais e marinhos), no sentido de detectar a origem do chumbo e o seu percurso na bacia, desde a origem terrestre até à zona costeira."Entre as plantas, analisámos mais a esteva, porque serve de alimento muitos animais, e detectámos que o chumbo se encontra na raiz e que não passa para a parte aéreas, ou seja, a que é consumida pelos animais. Também detectámos algumas concentrações nos bivalves, mas também não são significativas, não atingem níveis de toxicidade e não põem em risco ninguém", revelou Maria João Batísta.

De acordo com aquela investigadora, "uma coisa é obter quantidades elevadas de chumbo nas análises químicas, outra é saber se essas quantidades passam para a cadeia alimentar e são absorvidas pelas plantas, ingeridas pelos animais e se passam para as pessoas". "Em relação ao estuário do Guadiana, essa relação não chega a atingir o limite de toxicidade e o que ocorre é perfeitamente normal", completa a especialista.