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Abrantes testa polícia de proximidade

Em vez de ligarem para a esquadra, os habitantes passam a telefonar para o telemóvel dos agentes de serviço

A PSP (Polícia de Segurança Pública) estará mais próxima da população de Abrantes, já a partir de hoje, 1 Junho. «Quando a população tiver um problema vai deixar de telefonar para a esquadra, para passar a ligar ao agente Zé Manel, de quem tem o número de telemóvel» - é assim que Levy Correia, Comandante distrital da Polícia de Segurança Pública descreve o novo modelo de policiamento a ser implementado em Abrantes.

A esquadra de Abrantes foi a escolhida para um projecto piloto de «policiamento de proximidade». A polícia terá mais poderes e mais responsabilidade. O alvo será a pequena criminalidade, a criminalidade sobre idosos e a violência doméstica.

 O comandante da PSP de Santarém, Levy Correia, escolheu Abrantes como esquadra piloto devido «às condições excepcionais da nova esquadra» e às características «rurais» da cidade, explicou o comandante. No final de 2007, o projecto será avaliado por uma equipa da Universidade Nova de Lisboa que irá avaliar o modelo de actuação e dirá se é, ou não, viável a adaptação a outras zonas do distrito.

Os seis agentes destacados para o programa vão trabalhar sem horários fixos, para melhor corresponder às necessidades da população. Destes seis, quatro estarão em equipas de proximidade e Apoio à Vítima, enquanto os outros dois continuarão a integrar equipas do programa «Escola Segura» (que será integrado dentro do projecto). A polícia deixa assim a lógica de agir sob denúncia e passa a investigar e a actuar pelo contacto com a população. «O objectivo é estabelecer uma maior relação de confiança entre o polícia e o cidadão», conta o Sub-comissário Soares. Para isso, a polícia espera a colaboração das colectividades, das associações de moradores, bem como de todos os cidadãos.

O perímetro urbano de Abrantes será dividido em «quatro bairros» de actuação, cuja delimitação a PSP ainda não revelou. Estes bairros serão escolhidos pelas características geográficas, mas também por partilharem do mesmo tipo de problemas. Para este tipo de actuação os patrulheiros receberam formação específica, além de terem sido escolhidos para o cargo pelas suas capacidades naturais, afirma Levy Correia. «Antigamente um patrulheiro era um posto de informações», conclui.

Na apresentação do projecto piloto que decorreu na esquadra de Abrantes, no dia 22, o  comandante da polícia sublinhou que o facto de os polícias passarem a ter mais competências «não desresponsabiliza entidades como a segurança social». Os agentes passam assim a fomentar uma maior interligação com as outras entidades com vocação para a assistência à população.

A PSP de Abrantes pretende também aumentar as médias de participação  de crimes à polícia e reduzir a burocracia.