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O PS pós-28: nas mãos das mulheres?

Ana Catarina Mendes pode suceder a Alberto Martins

FOTO JOSÉ VENTURA

Maria de Belém assume interinamente o lugar deixado vago por Seguro. Com a saída de Alberto Martins da liderança parlamentar, pode seguir-se outra mulher - Ana Catarina Mendes?

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Editora de Política da SIC

Temporariamente, até ao Congresso em que António Costa será entronizado como secretário-geral, o PS poderá ser um partido em mãos femininas. Maria de Belém, que é a presidente do partido, assume, interinamente, as funções de secretário-geral. E, na Assembleia da República, face à já anunciada demissão de Alberto Martins, o nome mais provável para assumir a liderança do grupo parlamentar é o de Ana Catarina Mendes, atual vice-presidente da bancada, diretora da campanha de Costa e recentemente eleita presidente da federação distrital de Setúbal. Pedro Marques, outro dos atuais vice-presidentes e também um destacado apoiante de Costa neste processo, é outro dos nomes possíveis.

A renúncia de Seguro ao lugar de secretário-geral do PS não arrasta consigo a demissão do restante secretariado nacional socialista, que se manterá em funções e assegurará a gestão corrente do partido, bem como a organização do próximo Congresso. Há prazos e procedimentos estatutários a cumprir, mas, dentro da escassa margem de manobra temporal que existe, responsáveis socialistas acreditam que é possível convocar para novembro as diretas que elegerão o novo secretário-geral e o congresso que ratificará a escolha dos militantes e fará a eleição da nova Comissão Nacional (o órgão máximo entre congressos).

No entretanto, o PS será um partido com um líder de facto mas não de jure, que não é deputado - razão por que terá de fazer uma grande aposta numa liderança com experiência e força políticas - mas sim presidente da Câmara de Lisboa. E Costa, ao longo destes meses, sempre disse que se manteria na autarquia mesmo ganhando as primárias, nunca esclarecendo quando pensa passar a pasta ao seu número dois, Fernando Medina.

Perante a dimensão da vitória de António Costa (mais de 70% contra menos de 30% de Seguro), não é crível que a ala segurista avance com uma candidatura no Congresso.  Nos últimos dias esse foi um dos cenários equacionados, com vários nomes a serem lançados como possíveis para encabeçarem a "tendência" (chegou a falar-se de João Soares, Álvaro Beleza, José Luís Carneiro ou António Gameiro), mas a votação "inequívoca" dos militantes e simpatizantes em Costa terá refreado quaisquer ímpetos nesse sentido.