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Morreu Alpoim Calvão, o operacional anticomunista

Alpoim Calvão com Marcelino da Mata (à sua direita) e Almeida Bruno, durante o Encontro Nacional de Combatentes, em 2001, nas comemorações do dia 10 de Junho, em Lisboa.

Alberto Frias

O antigo operacional do MDLP morreu hoje de madrugada, aos 77 anos. Funeral realiza-se na manhã de quinta-feira.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Guilherme Almor de Alpoim Calvão foi um dos oficiais mais condecorados das Forças Armadas portugesas mas acabou por destacar-se politicamente após o 25 de Abril, pela sua oposição ao regime. Faleceu esta madrugada no Hospital de Cascais, aos 77 anos, vítima de doença prolongada.



Foi fundador e participante ativo do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), responsável por uma série de assaltos e atentados bombistas a sedes do PCP e outros partidos de esquerda no chamado Verão Quente de 1975.



Muito ligado ao general Spínola, a quem acompanhou no exílio depois do 11 de março, era fuzileiro tendo chegado ao posto de capitão de mar-e-guerra. Na Guiné, onde combateu durante a guerra colonial, foi o responsável pela fracassada invasão da Guiné-Conacri, em 1970 (Operação Mar Verde), que visava libertar prisioneiros portugueses e abater aviões de apoio ao PAIGC.



Embora convidado, Alpoim Calvão recusou integrar o grupo de oficiais do 25 de Abril e, pouco tempo depois, apoiou declaramente o general Spínola, a quem considerava como o único que poderia repor os "objetivos iniciais" do 25 de Abril.



É neste contexto que o apoia no 28 de Setembro e, mais tarde, acompanha-o na fundação do próprio MDLP, em maio de 1975, onde ocupava funções como operacional, coordenando ações e arranjando armas.



Participou no golpe do 11 de Março de 1975, liderado por Spínola e, depois disso, coordenou uma série de ações terroristas no norte do pais. É também atribuído ao MDLP o ataque à bomba que matou o padre Max, ligado aos movimentos de extrema-esquerda.

"Fui formado na luta contra a ideia, a filosofia e a forma do comunismo, contra a ditadura do proletariado, contra o espezinhamento do homem e as nomenclaturas vivendo nas suas 'dachas', só se fosse insensível é que não partiria para esta guerra", disse ele uma vez numa entrevista, justificando a sua ação à época. 



Depois de ser "abatido ao efetivo da Armada" por determinação do Conselho da Revolução na sequência do 11 de março de 1975, veio a ser reintegrado em 1986 e promovido a capitão-de-mar-e-guerra, tendo passado à reforma, em março de 1990. Em 2010, foi condecorado pelo ramo com a medalha de Comportamento Exemplar, grau ouro, no dia do Fuzileiro.

Como homem de negócios adquiriu a Fábrica de Pólvora de Barcarena e manteve ligações com negociantes em vários pontos do globo, tendo sido muito ativo nos negócios, em particular no Brasil e na Guiné-Bissau.

 

Funeral na quinta-feira

O funeral de Alpoim Calvão realiza-se na quinta-feira para o cemitério dos Olivais, após a missa de corpo presente no Mosteiro dos Jerónimos.



Segundo disse à Lusa uma fonte familiar, o velório terá início esta quarta-feira, a partir das 17h. A missa de corpo presente está prevista para as 11h de quinta-feira e o funeral sairá às 11h45.



[Notícia atualizada às 17h50]