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Ex-espião satisfeito por voltar a trabalhar no Estado

"A reintegração no Estado foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos", diz Silva Carvalho, arguido no chamado caso das secretas.

O antigo diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho disse hoje à Lusa que "não sente qualquer desconforto" em ir trabalhar para a Presidência do Conselho de Ministros, serviço onde foi

 reintegrado.

O Governo decidiu criar um posto de trabalho na PCM para Silva Carvalho, envolvido no processo-crime das secretas, justificando que este "preencheu os pressupostos de aquisição de vínculo definitivo ao Estado".

É na Presidência do Conselho de Ministros que decorrem as reuniões ministeriais e onde está integrado o Serviço de Informações da República Portugal (SIRP), ao qual pertence o SIED.

O decreto publicado na terça-feira em "Diário da República", determina a "criação de um posto de trabalho no mapa de pessoal da secretaria-geral da Presidência do Conselho de Ministros" para o ex-diretor do SIED.

"A reintegração no Estado foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Estou muito satisfeito que ao fim de dois anos e quatro meses este Governo tenha reposto a legalidade, reintegrando-me no serviço público com efeitos retroativos a 2 de dezembro de 2010", disse à Lusa.

Silva Carvalho disse desconhecer ainda que funções irá desempenhar em concreto, mas lembrou que é jurista de formação e gestor público.

Para já mantem-se ação contra o Estado

Quanto à eventual desistência da ação administrativa, interposta por si contra o Estado no Supremo Tribunal para que fosse reintegrado na função pública, o ex-espião disse que está o analisar o despacho, para verificar se há alguma utilidade em manter a ação.

"Temos de avaliar melhor o despacho, mas este corresponde a uma parte substancial da ação administrativa. Também pedimos que seja contado, para efeitos de vencimento, o último ano em que não estive a trabalhar", disse Silva Carvalho, declarando-se, porém, "disponível para negociar com o Estado".

Jorge Silva Carvalho foi constituído arguido no "caso das secretas" juntamente com o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, e cujo início da instrução está agendada para a próxima quarta-feira.