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BE. "Está à vista um gigantesco Titanic"

"Desde o caso dos vistos Gold, ao BPN, ao BES, está à vista um gigantesco Titanic", diz Francisco Louçã, que não quer tirar daí ilações sobre a detenção de José Sócrates

Nuno Botelho

Dirigentes do Bloco de Esquerda não querem fazer comentários concretos, mas alertam para a crise de regime.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Surpreendidos e sem querer fazer considerações concretas sobre a detenção de José Sócrates, os dirigentes do Bloco de Esquerda não vão muito além de expressar a vontade de que a Justiça cumpra o seu papel e apure o caso e "o mais rápido possível".



João Semedo não quis fazer declarações, mas Francisco Louçã sublinhou que "é importante não se tirarem conclusões superficiais. Se é uma crise de regime, um corrompimento do regime, se é um sintoma ou não, não quero fazer jogos incendiários", disse o antigo coordenador do Bloco ao Expresso.



"Desde o caso dos vistos Gold, ao BPN, ao BES, está à vista um gigantesco Titanic", afirmou ainda Louçã, que não quis porém tirar daí ilações sobre a detenção do ex-primeiro-ministro.



Já Fernando Rosas - embora salvaguardando o seu desconhecimento e surpresa a respeito do caso em concreto -  comentou que ele "só acumula o peso de suspeição sobre os partidos do arco da governação, que mais parece um arco da corrupção".



O antigo deputado do BE destacou no entanto que, se ninguém está acima da lei e que tudo deve ser investigado até ao fundo, também "é um princípio que todos são inocentes até prova em contrário".



"A justiça e a política confundem-se, quando esta se deixa invadir pela podridão", afirmou ainda, não sem referir que "há que tirar conclusões políticas de uma política que apodrece. É inevitável e necessário para reformar a política de um ponto de vista da política ética e cidadã", disse, expressando o desejo de que esta sucessão de casos leve a Assembleia da República a tomar medidas mais efetivas no combate contra a corrupção.



Para Luís Fazenda, antes de mais "a justiça tem que fazer o seu trabalho". O fundador e deputado do BE adiantou, porém, que Portugal vive uma "crise de regime", mas - destacou - "não é a detenção de Sócrates que permite tirar essa ilação". "Há um problema de crise das instituições, de transparência, de idoneidade em Portugal", concluiu.



Os três dirigentes estão presentes na Convenção do Bloco de Esquerda, o órgão máximo do partido, que se realiza este fim de semana em Lisboa.