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Miguel Morgado: “Não quero uma geringonça de direita. Quero uma coligação pré-eleitoral”

NUNO BOTELHO

Numa edição que discutiu a crise da direita, o deputado do PSD defendeu esta sexta-feira no “Expresso da Meia-Noite” a necessidade de uma “refundação da federação da família não socialista”

Defensor de uma “refundação da federação da família não socialista”, Miguel Morgado defendeu esta noite no programa da SIC “Expresso da Meia-Noite” a necessidade de se criarem “novos alicerces” na vida política, que devolvam aos portugueses “um horizonte de expectativas maior”.

Assumindo ser “praticamente desde o início” um crítico da estratégia que Rui Rio tentou implementar no PSD, o deputado social-democrata – que disse estar a ponderar disputar a liderança do partido caso se realizem eleições diretas – afastou, contudo, ser um defensor de uma “geringonça da direita”.

“Pelo contrário”, afirmou durante o programa da SIC Notícias, “se tiver razão no diagnóstico que faço”, e que passa por considerar que a crise afeta “todo os partidos”, então faz sentido falar de uma “crise que é também – à falta de melhor palavra – cultural”.

Ao comentar o desafio lançado esta sexta-feira por Luís Montenegro ao líder do PSD, Miguel Morgado mostrou-se menos preocupado com os “problemas conjunturais, acidentais” de liderança, pondo a nota na necessidade de saber “o que fazer com o poder”.

“Não me importo nada de perder eleições”, acrescentou, para sublinhar que o que considera ser urgente fazer é “trabalho prévio, contra a maneira como nos habituamos a pensar. Um modo castrado, de baixíssimas expectativas, que a direita aceitou”, marcado pelo que considera ser a "hegemonia cultural" da esquerda e de "um governo medíocre, assente numa geringonça totalmente contraditória".

“O país está há 25 anos estagnado, teve uma bancarrota e um total espartilho das suas capacidades. Talvez só a Grécia tenha cultivado expectativas tão baixas”, lamentou.

Santana Lopes: "Eu luto, outros ficaram em casa à espera que o Rio caísse"

Já Santana Lopes preferiu não comentar a atual situação do PSD, explicando que saiu do partido para defender um novo caminho para o país. "Eu não fugi, fiz o que é legítimo em política: ir à procura de um caminho mais aberto para defender aquilo que defendo há muitos anos que acho que é muito importante para Portugal."

"Eu luto sempre. (...) Outros ficaram taticamente em casa à espera que Rui Rio caísse", acrescentou.

O eurodeputado Nuno Melo, recusou, por sua vez, que o CDS esteja a aproveitar a crise interna do PSD, defendendo que o seu partido é um partido credível, confiável e com expectativa de resultados. "O CDS não tem que aproveitar bem o momento do PSD, tem que aproveitar bem o seu momento”, insistiu.

Melo sustentou ainda que o eleitorado português sabe que nenhum voto do CDS serve para validar o Governo de António Costa, “coisa que não acontece com nenhum outro partido até à data".

Opinião contrária tem Sofia Afonso Ferreira, fundadora do movimento Democracia 21, que considerou que o desaparecimento do PSD em relação ao seu espaço tradicional é um problema para a oposição. "A direita não funciona sem o PSD, quanto mais cedo se resolver a crise interna melhor será para todos", rematou.