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PSD. Ângelo Correia critica “sede violenta e doentia pelo poder”. José Eduardo Martins pede “clareza” a Montenegro

antónio pedro ferreira

Em plena crise interna, as opiniões dos sociais-democratas dividem-se. Se Ângelo Correia alerta para o efeito destrutivo que a manobra de Luís Montenegro pode ter no partido, José Eduardo Martins sustenta que a mudança de liderança tem que ser agora

O social-democrata Ângelo Correia, que foi membro de várias direções nacionais do partido, mostrou-se esta quarta-feira preocupado com a intenção manifestada por Luís Montenegro de desafiar Rui Rio para marcar eleições diretas no PSD.

Em entrevista à TSF, Ângelo Correia considerou que essa manobra deverá ter um efeito destrutivo no partido. “A minha pergunta é: esta atitude que está a ser feita é para ser muleta do PS ou não? É para isso que eles querem? Aqueles que acusaram o Rio de ser muleta do PS, que nunca foi, são eles agora que estão a provar que são a verdadeira muleta”, questionou o social-democrata.

“Eu devo dizer que é incompreensível a não ser por uma sede violenta e doentia pelo poder, que, na prática, não vai ser mudado, vai destruir o partido”, acrescentou. Ângelo Correia defende ainda que o partido deve preparar-se para as eleições nacionais e europeias, sendo que a mudança de liderança só poderá prejudicar esses processos.

Para o social-democrata, é fundamental não esquecer que o PSD foi fundado para “construir um processo que garantisse às pessoas mais liberdade e mais bem-estar”. ”Os tempos mudam, mas as formas de fazer política, não. Nós não podemos ser uns cata-ventos”, insistiu.

Já José Eduardo Martins, também em declarações à TSF, considera que o PSD deve resolver já a crise interna em que se encontra, mas sustenta que Luís Montenegro terá que ser claro e explicar bem a mudança que pretende no partido. “Mais vale alguma clareza do que mais um ano desta paz podre. Quem pretende convocar uma mudança tem que justificar muito bem essa mudança”, frisou o ex-dirigente do PSD.

“Os desafios do PSD têm que ser o de afirmar um discurso que seja alternativo ao do PS e mobilizador para os portugueses.(...) E, portanto, estou curioso para saber qual e a diferença, alternativa programática e de substância, que quem se diz que quer ser candidato a presidente do PSD tem que ter”, conclui.