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Socialistas europeus em campanha para recuperar os lugares perdidos com o Brexit

PEDRO NUNES/REUTERS

O congresso em Lisboa marcou o arranque da campanha da principal família de centro-esquerda às eleições europeias. Com o Brexit, os Socialistas & Democratas europeus deixam de contar com os trabalhistas britânicos. Uma luta eleitoral para manter a influência no Parlamento Europeu e garantir uma maioria de forças pró-europeias

O congresso dos socialistas europeus arrancou esta sexta-feira já com um candidato escolhido para ser o cabeça de lista da família política às eleições europeias. O holandês Frans Timmermans, que é atualmente o primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, quer chegar à cadeira que pertence hoje ao luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Mas para isso acontecer é preciso que o principal partido europeu de centro-esquerda consiga eleger o maior número de eurodeputados. Uma vitória nas europeias de maio não garante automaticamente o lugar de topo do executivo comunitário, mas dá vantagem e pode ajudar a convencer os líderes europeus a nomearem Timmermans para o cargo.

"É o nosso dever europeu ter um bom resultado nas próximas eleições europeias, de contrário poderemos enfrentar um Parlamento muito fragmentado, com muitos partidos extremistas e antieuropeístas", diz ao Expresso Maros Šefčovič. O eslovaco que é também vice-presidente da Comissão Europeia ainda tentou ser ele o cabeça de lista dos socialistas europeus, mas no início do mês passado desistiu a favor do holandês.

O Partido Socialista Europeu (PES) evitou assim ter de votar e escolher entre dois candidatos, ao contrário do que fez o Partido Popular Europeu, em novembro, em Helsínquia, quando elegeu o alemão Manfred Weber em vez do finlandês Alexander Stubb.

Šefčovič não guarda ressentimentos e mostra-se agora confiante na vitória de Timmermans. "Enfrentamos um momento decisivo na história europeia e a próxima eleição vai ditar o rosto e alma da Europa", diz, reconhecendo que é preciso "retomar a ligação aos cidadãos", contrariando o que chama de "soluções simplistas" de partidos extremistas que têm ganho peso na Europa a "explorar os medos".

O eslovaco chega a Lisboa a defender ainda um maior investimento "nos jovens", "uma política industrial mais forte", e uma política comercial da UE que seja também mais assertiva.

"Cabe-nos a nós, Socialistas & Democratas (S&D) defender os valores europeus", diz ao Expresso Udo Bullmann. O alemão que lidera a bancada do centro-esquerda no Parlamento Europeu mostra-se também preocupado face ao que considera ser uma "Europa sob ameaça". Aponta o dedo às políticas do Presidente russo, Vladimir Putin, ao Presidente norte-americano, Donald Trump, mas também aos movimentos populistas e de extrema-direita dentro da própria União Europeia.

Bancada socialista perde 20 deputados com o Brexit

Em 2014, os socialistas voltaram a não conseguir vencer o grupo do Partido Popular Europeu, a que pertencem o PSD, o CDS e o MPT. No Conselho Europeu, onde têm assento os chefes de Estado e de Governo, o centro-direita também leva vantagem. O PES vê assim em 2019 uma nova oportunidade de aumentar o peso político, mas o Brexit não deverá facilitar as contas.

Com a saída do Reino Unido, saem também 20 deputados trabalhistas da bancada do S&D, que tem atualmente 187 membros. Outros grupos políticos também perdem, como é o caso dos Conservadores ou dos eurocéticos do Grupo da Europa das Nações e Liberdade. No entanto, a perda é menor para o Partido Popular Europeu que em 219 deputados só conta dois britânicos.

As próximas europeias vão ditar se o fosso entre centro-esquerda e centro-direita se agrava ou diminui. "Ainda não começámos a campanha", diz Udo Bullmann. "Temos um candidato principal forte e uma campanha forte", argumenta, lamentando contudo a saída dos colegas britânicos. Em França, o partido socialista também já conheceu melhores dias e as últimas eleições legislativas na Alemanha também fizeram descer o SPD.

"(Os socialistas) não estão em crise em todo o lado", contrapõe Bullman. "Olhem para os países em que somos fortes", continua, dando como exemplo Portugal. O PS foi o partido português mais votado nas últimas europeias. Elegeu oito eurodeputados, contra seis do PSD.

Pedro Silva Pereira foi um deles. Ao Expresso diz esperar que o PS volte a ser o partido mais votado. "E se possível com mais deputados, porque não?", remata.

Falta no entanto conhecer a lista dos socialistas portugueses ao Parlamento Europeu e quem a vai liderar. Silva Pereira não desvenda se continua mais cinco anos em Bruxelas, mas diz que "há disponibilidade para conversar com o Secretário Geral do Partido Socialista" sobre o assunto.