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Câmara de Vale de Cambra vai transformar antigas escolas em habitação

MÁRIO CRUZ/LUSA

Algumas das escolas ainda poderão vir a ficar reservadas para efeitos turísticos, mas duas é já certo que serão destinadas a habitação social: a escola EB1 de Pintalhos, que está apta a acolher uma família numerosa, e a EB1 de Santa Cruz, que se revelará mais adequada a duas habitações T1

A Câmara Municipal de Vale de Cambra anunciou esta quinta-feira que pretende adaptar algumas das antigas escolas do Plano dos Centenários para efeitos de habitação, com o objetivo de promover a fixação de jovens famílias no concelho.

Para Catarina Paiva, vereadora da Educação e Ação Social na autarquia, essa estratégia de requalificação de estabelecimentos de ensino desativados resulta de "uma carência muito grande de habitação em Vale de Cambra", pelo que a Câmara está "a tentar criar melhores condições para fixar a população jovem no concelho".

Algumas das escolas ainda poderão vir a ficar reservadas para efeitos turísticos, mas duas é já certo que serão destinadas a habitação social: a escola EB1 de Pintalhos, que está apta a acolher uma família numerosa, e a EB1 de Santa Cruz, que se revelará mais adequada a duas habitações T1.

A estratégia da Câmara passa por envolver outras entidades na recuperação de espaços para habitação e, nesse contexto, às referidas escolas acrescentam-se ainda três casas rurais a reabilitar em parceria com a Fábrica da Igreja de Vila Chã: duas para funcionamento em registo T1 e a terceira a converter num T3, sendo que todas se destinam a arrendamento a custos controlados.

Catarina Paiva realçou que a maior parte destes imóveis está situada em áreas algo rurais e serranas, "onde as pessoas não querem fixar residência", mas disse acreditar que os eventuais interessados serão cativados por "edifícios que têm alguma história e ainda vão representar um bom negócio".

Se nessas adaptações a maioria dos fogos estará disponível para arrendamento no mercado normal, é porque o município "praticamente não precisa de habitação social". Catarina Paiva notou, aliás, que atualmente autarquia conta apenas com um apartamento para situações pontuais de emergência social. "Felizmente não temos precisado de mais e, mesmo a acautelar eventuais problemas que possam surgir de um momento para o outro, preferimos recorrer ao mercado e alugar o que for preciso na altura do que ter património empatado sem uso", sustentou.

Em Vale de Cambra há apenas duas famílias nessas circunstâncias, mas, até nesses casos, o aluguer é condicionado, como explicou a vereadora: "Não pagamos o aluguer completo, subsidiamos é a renda, até para também responsabilizarmos as pessoas pelo espaço que estão a utilizar e pelas suas próprias opções de vida".

A estratégia habitacional da Câmara para os próximos anos também está a ser objeto de reflexão no âmbito da revisão em curso do Plano Diretor Municipal (PDM), tendo em conta que a oferta existente no centro de Vale de Cambra é "cara e escassa". A avaliação é do técnico Armando Ribeiro, que vem acompanhando o ordenamento do concelho desde a década de 1980 e defende uma nova classificação fiscal para as propriedades com potencial de construção em plena cidade.

"Como os terrenos disponíveis [no centro] estão classificados como urbanos, mas só são tributados como rurais, os proprietários não veem necessidade de se desfazer deles e assim não há construção, portanto alguma coisa vai ter que mudar nesta matéria", concluiu.