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UE reforça meios na “guerra contra a desinformação” antes das Europeias de 2019

KACPER PEMPEL / REUTERS

A Rússia sempre negou ter tentado influenciar as eleições nos Estados Unidos ou em qualquer outro país do Ocidente mas, mesmo assim, a União Europeia lançou um programa que deverá ajudar os Estados-membros a combater as ondas de desinformação que se espalham principalmente através de páginas da internet e das redes sociais, para evitar que os eleitores europeus tomem decisões, já no próximo ano, baseadas em notícias falsas. O Kremlin é apontado como o principal perigo

Contra a potencial influência do Kremlin, as “fake news”, a desinformação, os perfis falsos nas redes sociais, os 'trolls', os 'bots' e todos os outros perigos "na rede". A União Europeia (UE) já está a preparar-se para a “guerra de desinformação” que, entendem os responsáveis pela segurança europeia, pode vir a prejudicar as eleições europeias do próximo ano.

Esta quarta-feira foi anunciado, em Bruxelas, um novo pacote de medidas e um orçamento destinado exclusivamente à luta contra a informação falsa que circula na internet e que pode induzir os eleitores em erro - isto no mesmo dia em que o presidente russo, Vladimir Putin, é acusado, precisamente pela UE, de gastar mais de mil milhões de euros por ano em “técnicas de desinformação”.

“Há provas muito fortes que apontam a Rússia como a principal fonte de informação falsa espalhada pela Europa”, disse Andrus Ansip, vice-presidente da Comissão Europeia, citado pelo diário britânico “The Guardian”. E este esforço, acrescentou Ansip, “é apenas uma parte da doutrina militar russa que passa por criar divisão no Ocidente, enfraquecendo-o”.

O Facebook já disse que entre 60 e 70 milhões de contas na plataforma são falsas - o que representa cerca de 4% dos utilizadores totais. Além disso, algumas dessas contas são das mais ativas na rede social. “Já devem ter ouvido falar da fábrica de ‘trolls’ e dos exércitos de ‘bots’ sediadas em São Petersburgo”, ironizou Ansip referindo-se às contas usadas unicamente para difundir mensagens políticas seja o seu conteúdo verdadeiro ou não.

A Comissão anunciou que iria criar um novo sistema de alerta para ajudar os Estados-membros a reconhecer campanhas de desinformação, ou seja, informação falsa hoje em dia disseminada em larga escala nas redes sociais, e que o orçamento destinado à identificação destes fluxos inquinados de informação vai aumentar de 1,7 milhões de euros para perto de cinco milhões. Mas parte do trabalho, disse ainda Ansip na conferência de imprensa onde apresentou a nova estratégia, terá que ser feita pelos gigantes tecnológicos que domiciliam páginas falsas e permitem (ou não fiscalizam o suficiente) a criação de perfis falsos que depois espalham informação anonimamente.

Julian King, o representante britânico no grupo que decidiu estas medidas avisou as principais redes sociais de que é preciso total adesão ao código de conduta que já foi assinado pela maioria e que a UE não irá permitir “uma internet que seja uma espécie de wild west”. “Precisamos de ver, urgentemente, um esforço redobrado na análise de certos tipos de anúncios, mais transparência nos conteúdos patrocinados, identificação muito mais rápida de contas falsas e o seu imediato cancelamento se tal ficar provado”, acrescentou.

Putin e o seu governo sempre negaram ter tentado, pela internet ou de qualquer outra forma, influenciar eleições na Europa e nos Estados Unidos.