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Rio: “Podemos perder à primeira, à segunda, à terceira, à quarta, à quinta... mas vem um dia em que perceberão”

Líder do PSD foi ao Conselho Nacional reafirmar a estratégia de oposição moderada e responsável. Rio aposta nos erros do Governo, mas sem um PSD bota-abaixo: “Se eles fizerem dez erros, não podemos apontar doze nem dez, temos apontar oito ou nove”. Morais Sarmento deixou recados à comunicação social e pediu um PSD “a remar numa única direção”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O forte de Rui Rio sempre foram os números e as contas certas, mas na noite de terça-feira o líder do PSD foi ao Conselho Nacional do partido apresentar uma forma original de fazer contas políticas. Num discurso em que se propôs, mais uma vez, "sistematizar a estratégia do partido", para que os conselheiros nacionais a entendam, Rio fez a defesa intransigente de uma oposição moderada e responsável. E deu como a exemplo a denúncia política dos erros do Governo.

Rio explicou que, para si, uma parte essencial de fazer oposição é "apontar os erros do Governo", mas avisou que isso não significa "apontar como erros o que não são erros, nem é estar todo dia a dizer mal do Governo". A dose certa, para Rio, é os responsáveis do PSD serem "implacáveis a dizer o que realmente está verdadeiramente mal", mas sem estar sempre a cair em cima do Governo. E apresentou a sua fórmula: "Se eles fizerem dez erros, não podemos apontar doze, nem dez, temos apontar oito ou nove" - e assim, explicou Rio, as pessoas percebem que o PSD é um partido responsável e até critica o Executivo menos do que este merece.

"O tempo é o melhor aliado"... mas é curto

A responsabilidade e moderação foi o cavalo de batalha de Rio. Por isso defendeu, mais uma vez, a importância do PSD estar disponível para "acordos alargados" sobre questões estruturais e matérias de regime - mas reconheceu que nem a reforma da descentralização nem o acordo sobre fundos europeus estiveram neste patamar. No entanto, a disponibilidade para compromissos - sobre Justiça, Segurança Social, políticas de natalidade ou descentralização - é para continuar, garantiu. Se essa continuar a ser a "postura política do PSD perante os problemas nacionais", Rio acredita que o eleitorado há de acabar por recompensar o partido - mesmo que demore.

"Podemos perder à primeira, à segunda, à terceira, à quarta, à quinta... mas vem um dia em que perceberão claramente a diferença entre quem age assim e quem age de forma antagónica. O tempo é o melhor aliado", assegurou, embora logo depois tenha reconhecido que, com eleições nacionais já em Junho e Outubro, "é verdade que não temos muito tempo".

"Eles já cometeram erros suficientes"

Numa intervenção à porta fechada num hotel de Setúbal - mas que era possível ouvir fora da sala -, Rio seguiu no essencial aquilo que tem dito nos encontros com os militantes por todo o país. Os erros do Governo são, para o líder social-democrata, decisivos para a afirmação de uma alternativa. "Para que ganhemos as eleições, é preciso primeiro que eles percam as eleições", disse Rio, acrescentando que "para eles perderem é preciso que façam erros" - se o Governo não cometer erros, o PSD pode ter "a melhor oposição" e mesmo assim não ganha.

A boa notícia, acrescentou Rio, é que "eles já cometeram erros suficientes" para o PSD se apresentar como alternativa e ser capaz de ganhar eleições. Ao PSD cabe "fazer sobressair os erros" e "ajudar a que eles percam", denunciando a ausência de uma estratégia económica ou a degradação dos serviços públicos, ou apontando o dedo a mentiras como o "fim da austeridade" ou as cativações orçamentais.

Para além disso, frisou Rio, compete ao PSD preparar propostas alternativas e apresentar-se unido. Embora tenha dedicado menos tempo da sua intervenção ao clima de guerra civil em que vive o PSD, Rio não deixou de referir os críticos internos, para repetir um aviso: “Enquanto dentro do PSD houver quem faça o jogo do PS, o PS escusa fazer nada, pode estar quieto”, pois terá a vitória garantida. Pelo contrário, se o PSD se mostrar unido, pode vencer.

"Remar numa única direção", pede Sarmento

Foi essa também a mensagem deixada por Nuno Morais Sarmento, que falou aos jornalistas à meia-noite, quando o Conselho Nacional ainda estava longe de acabar. "Há a consciência por parte de todos de que a partir deste momento o interesse do PSD nos obriga a remarmos, colocarmos todas as nossas forças, numa única direção.”

Questionado sobre o sentido das palavras de Rio, quando antecipou a possibilidade de o PSD não ganhar à primeira, à segunda, terceira ou quarta, Sarmento garantiu que o que conta é 2019. "Não vale a pena estarmos a falar do ano de 2040 e tal, com esse número de eleições... não sei se cá estaremos. Vamo-nos manter em 2019, é para 2019 que estamos a trabalhar e é em 2019 que queremos ganhar."

Aproveitando o facto de ter sido um Conselho Nacional bastante mais pacifico do que os anteriores da liderança de Rio - a histórica Virginia Estorninho foi das poucas vozes contestatárias que se fizeram ouvir" -, Sarmento lamentou que os críticos se oiçam mais na comunicação social do que nas reuniões do partido. "O tanto que lemos nos vossos jornais e nas vossas televisões, não é o que acontece nas reuniões do PSD", garantiu, numa crítica à comunicação social. O maior problema do PSD é a comunicação social?, perguntaram-lhe. Resposta de Sarmento: "O PSD não tem problema nenhum com a comunicação social. Só tem um problema, que é o de construir uma alternativa."