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Para evitar casos e foguetes, Rui Rio recorda que defende há muito reforma do regimento parlamentar

Sem nomear José Silvano, líder do PSD diz que o regime democrático pode acabar mal se não tiver reformas profundas, entre as quais a do regimento da Assembleia da República, sob pena de se continuar a viver de foguetes e de casos, que só vão degradar cada vez mais a situação

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu, esta segunda-feira, que a forma como o parlamento funciona devia ser alterada, embora não se alongando sobre a polémica das falsas presenças em plenários da Assembleia da República. À margem de uma visita ao Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim/Vila do Conde, o líder dos sociais-democratas foi questionado sobre uma possível revisão dos procedimentos de marcação de presenças, mas remeteu o tema para “a necessidade de uma reforma profunda do regime democrático”.

“Nestes anos todos na política, tenho reclamado uma reforma profunda do regime democrático, na qual se insere a reforma do sistema político. Não será possível essa revisão sem entendimento entre os partidos, e não preciso do caso A ou do caso B para retirar essas conclusões”, disse Rui Rio.

O presidente do PSD recordou o seu passado como deputado, durante 10 anos, para lembrar que “já nessa a altura entendia que a forma com parlamento funcionava devia ser alterada”, considerando que “o regime democrático pode acabar mal se não tiver reformas profundas”.

"Estou falar da forma como são eleitos os deputados, do regimento da Assembleia da República, na eleição das autarquias ou nas limitações de mandatos. Tudo tem de ser repensado. Tenho pena que, sendo este, também, o pensamento de muitos outros, não o tenham o vindo exprimir tal como eu o faço insistentemente, há muitos anos“, acrescentou.

Sem nunca especificar sobre o caso do deputado e secretário-geral do PSD, José Silvano, Rui Rio vincou que “se não for possível alterar verdadeiramente [o regime], se continuará a viver de foguetes e de casos, que só vão degradar, cada vez mais, a situação”.

“Não tenho mais nada a dizer sobre o assunto”, acrescentou o líder do PSD, quando questionado sobre a possível descredibilização da imagem pública do parlamento com estas polémicas. O tema das faltas dos deputados ganhou relevo na semana passada, com o caso das falsas presenças de José Silvano, em pelo menos duas reuniões plenárias, em 18 e 24 de outubro.

Na quinta-feira, seis dias após o Expresso ter noticiado o caso, José Silvano, numa declaração aos jornalistas sem direito a perguntas, garantiu não ter autorizado ninguém a utilizar a sua "password" - pessoal e intransmissível - para registo de deputados no hemiciclo do parlamento,. José Silvano disse ainda querer que a Procuradoria-Geral da República, que já anunciou estar a analisar o caso, investigue o sucedido.

Na sexta-feira, a deputada social-democrata Emília Cerqueira admitiu que pode sido ela inadvertidamente a registar José Silvano quando entrou no computador com a password do secretário-geral do partido para consultar documentos partilhados.