Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Louçã: ataques ao BE podem custar maioria absoluta ao PS

LuÍs Barra

Fundadores confiam num bom resultado eleitoral. “Não vejo nenhuma hipótese de o PS conseguir maioria absoluta”, diz Louçã. Rosas diz que acabou o risco do eleitorado se “cansar de o BE ser eternamente um partido de protesto”

“Não vejo nenhuma hipótese de o PS conseguir maioria absoluta e até acho que o PS está a cair na armadilha da sua própria arrogância”, diz Francisco Louçã. Depois da maior vitória eleitoral de sempre numas legislativas — com 10% dos votos e 19 deputados, conquistados em 2015 — dois dos fundadores do Bloco de Esquerda mantêm a confiança de que o partido vai conseguir segurar o resultado, já em 2019. A ‘geringonça’ não afastou o eleitorado? Antes, pelo contrário, diz Fernando Rosas: “O eleitorado que apoia o BE podia cansar-se que ele fosse eternamente um partido de protesto ou de contestação”.

“Entrámos todos em campanha eleitoral”, diz sem, margem para dúvidas, o historiador e fundador do BE, Fernando Rosas. E se do lado do PS se dão sinais de procura de uma maioria absoluta, que podia atingir os votos bloquistas, uma quebra eleitoral do partido está longe de ser um dado garantido. “O facto de o Bloco ter demonstrado que pode ser, com eficácia, um partido com soluções alternativas que melhoram as condições de vida das pessoas, é uma coisa que só pode ser boa para o partido”, afirma Fernando Rosas.

Francisco Louçã também acha que “o BE subirá nestas eleições”, porque “tem todas as condições para se apresentar como alternativa com a experiência do que fez”. Já a estratégia de ataque aos bloquistas, pode ter um efeito de boomerang. “A agressividade demonstrada contra o Bloco é uma forma indisfarçada de reclamar a maioria absoluta. Isso vai ter custos muito grandes para o PS”, diz. “O PS está a queimar os navios a chegar à praia, mostrando que querer impor uma solução, contra a experiência destes quatro anos, que resultou num alívio real para os portugueses”.

“CONDESCENDÊNCIA” COM O PCP

“Nada indica que o Bloco seja vítima desta solução política”, antevê Francisco Louçã, que prefere sublinhar os “riscos” da estratégia socialista para alcançar a maioria absoluta. “O PS percebeu que mostrando-se simpático com o PCP, ataca o PCP e que mostrando-se simpático com o Bloco, o beneficia. Por isso, escolheu hostilizar o Bloco para tentar blindar a passagem para o BE dos eleitores socialistas que não querem uma maioria absoluta”, explica.

A “condescendência” para com os comunistas é uma forma de ataque ao PCP porque “cria tensões internas”. “Uma parte importante do eleitorado e dos quadros comunistas ficam apavorados com esta atitude do PS, que é uma forma de dizer que o PCP é um partido fraco, que está no bolso do PS”, diz.

Já o ataque contra o Bloco resolve-se com gelo nos pulsos e muita calma. “Não ganha nada em fazer contra-ataques, mas em fazer propostas”, defende Louçã. Se a meta é a maioria absoluta, “as pessoas lembram-se bem do que elas representam”. Para Louçã, “a campanha contra a maioria absoluta do PS é a campanha do bom senso. Faz-se com a maior doçura, não custa nada”, resume.

Um novo entendimento pós-eleitoral à não está afastado. “Um novo acordo político, a existir, terá de ser mais exigente”, diz Rosas. “O PS tem de aceitar uma negociação muito mais profunda”, acrescenta Louçã. “Com o PS tudo tem de ser escrito até à última palavra e concretizadíssimo”, avisa.

  • Bloco aquece motores da Convenção com alertas sobre populismos

    Uma sessão internacional antecede o arranque dos trabalhos da XI Convenção do Bloco de Esquerda. Em Lisboa, com representantes da esquerda italiana, Fernando Rosas e Luis Fazenda dizem que o mundo está perigoso. E se a História não se repete, há circunstâncias que devem já acionar as sirenes de alarme. O inimigo está aí. “Chegou com pézinhos de lã, mas já usa botas cardadas”, descreve Marisa Matias