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Bombeiros declaram guerra ao Governo: "O sr. primeiro-ministro terá que nos enfrentar na rua"

Pedro Nunes

Proposta do Governo para reformar a Proteção Civil deixa bombeiros em pé de guerra. Marta Soares contesta perda da autonomia da Liga Nacional de Bombeiros e ameaça com protestos de rua.

Se o Governo avançar com a anunciada reforma da Proteção Civil que reorganiza as forças de socorro no território nacional, a Liga Nacional de Bombeiros ameaça abrir guerra ao Executivo.

“Não vamos admitir em circunstância alguma que estas reformas de legislação sejam efetivamente implantadas e impostas aos bombeiros portugueses. Vamos fazer avisos ao Governo, avisos que devem ser tomados em devida nota porque serão efetivamente à dimensão deste exército de soldados da paz e da vida, mas que não têm qualquer receio de fazer guerra a quem puser a sua paz em risco”, afirmou este sábado o presidente da Liga Nacional de Bombeiros, Jaime Marta Soares, à margem do Conselho Nacional daquela organização, em Bragança.

“Quero daqui dizer ao senhor primeiro-ministro que não temos medo nenhum das suas decisões. Estamos aqui bombeiros portugueses de cara levantada para o enfrentar. E o senhor primeiro-ministro terá que nos enfrentar na rua e todos os sítios onde efetivamente a nossa presença seja reclamada e não temos medo de nenhum Governo, nem de nenhum primeiro ministro de Portugal”, insistiu, acusando o Executivo de "traição", por ter avançado com a proposta de reforma sem ouvir os bombeiros.

O documento que irá sair do final dos trabalhos resumirá as decisões sobre as formas de luta a tomar contra a proposta para a nova lei orgânica que se encontra em discussão pública e que foi aprovada em Conselho de Ministros a 25 de outubro, prevendo criar cinco comandos regionais e 23 sub-regionais de emergência e proteção civil em vez dos atuais comandos distritais de operações e socorro.

Jaime Marta Soares vincou que na reforma proposta pelo Governo “foi alterado o sistema só para os bombeiros, não foi alterado para nenhuma das outras estruturas e todas as outras estruturas pertencem ao Estado: a GNR, A PSP, o Exército, a Marinha, a Força Aérea, o INEM”. Em causa está o facto de todas essas estruturas “terem a sua autonomia, a sua administração própria, e só a Liga dos Bombeiros Portugueses, (que) são estruturas da sociedade civil, que não são estruturas do Estado, é a quem impõem uma regra como se fossem funcionários do Estado”.

“Chega, chegamos ao limite", avisa marta Soares. "Queremos a nossa direção nacional de bombeiros autónoma, independente, com orçamento próprio e queremos um comando autónomo dos bombeiros como têm todas as outras entidades”, reclamou, concretizando que a Liga defende “uma Autoridade Nacional de Proteção Civil que tenha uma função como tem na Europa e no Mundo, que é de coordenação, e que os vários parceiros da estrutura da Proteção Civil tenham a sua autonomia”.

Jaime Marta Soares avisou que os bombeiros estão “dispostos a tudo para efetivamente demonstrar” a sua revolta e apelou ao primeiro-ministro para que evite esta situação, que classifica como o “desmembrar de toda a estrutura” existente. Lembrou ainda que os bombeiros dão resposta “a 98% do socorro em Portugal, nos incêndios florestais a 95% e mesmo no transportes urgentes são responsáveis por 85% daquilo que faz o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica)”.