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Política

A campanha já começou. Catarina impõe três condições ao PS para 2019

Catarina Martins abriu a Convenção do Bloco de Esquerda com um discurso para o futuro. Contra a maioria absoluta do PS nas próximas Legislativas, quer demonstrar que sozinhos os socialistas são um perigo. “O Bloco aprendeu muito”, garante. E quer garantias de que, para a próxima, se vai mais longe. A porta a uma nova geringonça fica entreaberta

“O Governo tem, em 2019, desafios colossais”, disse Catarina Martins. Há a legislação laboral, “essa vergonha que se vai arrastando no parlamento”; há as taxas sobre as rendas da energia e “a cambalhota” de última hora dada pelo PS; e há ainda a “lei de bases da saúde e a reforma dos transportes públicos”. “Em todas essas obrigações, cá estará o Bloco de Esquerda”.

Este é o caderno de encargos para o ano eleitoral. A coordenadora do Bloco de Esquerda quer respostas enquanto esta Legislatura dura, mas, por enquanto, não abre o jogo sobre os próximos capítulos, nem sobre que renovação de votos está disposto o Bloco a fazer para uma nova geringonça. Mas que ela pode existir, lá isso pode.

Catarina Martins aposta em duas ideias fortes: que uma maioria absoluta do PS é um perigo e que o Bloco está melhor preparado do que nunca para enfrentar os desafios políticos que tiver pela frente. Serão estes os motes da campanha eleitoral do Bloco e, claramente, esta Convenção abriu as hostilidades.

O PS é, de novo, o adversário. Por isso, grande parte do discurso da líder bloquista foi dedicado a “evocar” as últimas eleições e a “lembrar a alternativa que o PS propunha”. Pelo meio, ficou o refrescamento da memória de que foram os socialistas quem assinou o memorando com a troika e que admitiam o congelamento das pensões e uma redução da TSU dos patrões quando se apresentaram às ultimas legislativas. “Ainda bem que houve a força à esquerda para contrariar as medidas do programa do PS”, afirmou.

Por outro lado, Catarina Martins quer mostrar que o Bloco cresceu, ganhou músculo político e credibilidade institucional. “Mostrou que tem gente capaz”, que “é hoje um partido mais preparado, mais sólido nas suas análises e nas suas propostas”. Ou seja: mudou.

E a mudança passa por assumir os erros. E o facto de o caso Robles não ter sido omitido no discurso de abertura da Convenção é disso mostra. “Um erro”, disse Catarina Martins, que já tinha feito mea culpa sobre o modo como a direção reagiu nos primeiros dias da polémica.

Catarina trouxe o elefante para o meio da sala e usou-o como prova de força. “Ficam a saber como no Bloco corrigimos os erros: o BE não abriu parêntesis, nem mudou de assunto” e continuará a lutar contra a especulação imobiliária, garante.

O elefante deixou de estar na sala. Pelo menos, no primeiro round.