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Bloco aquece motores da Convenção com alertas sobre populismos

Marisa Matias

RODRIGO ANTUNES/Lusa

Uma sessão internacional antecede o arranque dos trabalhos da XI Convenção do Bloco de Esquerda. Em Lisboa, com representantes da esquerda italiana, Fernando Rosas e Luis Fazenda dizem que o mundo está perigoso. E se a História não se repete, há circunstâncias que devem já acionar as sirenes de alarme. O inimigo está aí. “Chegou com pézinhos de lã, mas já usa botas cardadas”, descreve Marisa Matias

Fernando Rosas, fundador do Bloco de Esquerda e historiador, foi o primeiro a subir ao palco do Pavilhão do Casal Vistoso onde, durante os próximos dois dias, se vai definir o futuro do Bloco de Esquerda. Mas, esta noite, falou-se do mundo. E de como ele está perigoso, hoje mesmo, no presente.

“A emergência rompante de populismos de extrema direita” que levaram ao poder Trump, Bolsonaro ou Salvini, devem “soar como sirenes de alarme à escala mundial”, diz Rosas. É “um desafio ímpar na história do Bloco”, diz Fernando Rosas. As semelhanças com os anos 30 do século XX que levaram à ascenção dos movimentos fascistas na Europa são chamados como referência e como comparação histórica. “Ajudam-nos a compreender os perigos dos populismos de hoje”, defende, denunciando os traços daquilo que considera serem as marcas da “contra-revolução” que está em curso.

A tolerância e “a nova postura de normalização da extrema direita” são motivos de alerta. Rosas detecta-os nos discursos sobre a vitória de Bolsonaro, no Brasil, feitos “por Paulo Portas, Assunção Cristas, nas redes sociais e no Observador” e que mostram que, mesmo dentro de portas, “há uma nova atitude da direita”.

Mas há esperança, para o histórico dirigente do Bloco. “Onde existe uma esquerda que não se rende e protagoniza a luta das vítimas de exploração, a extrema direita enfrenta uma barreira de aço”. “É isso que acontece no nosso país”, diz. Isso e a unidade entre a esquerda e a capacidade de “não repetir os erros de capitulação ou o sectarismo do passado”, faz a diferença. O recado para a geringonça fica dado.

Marisa Matias, eurodeputada do Bloco, retoma a deixa uns discursos mais avante. A nova reestruturação política, que está a radicalizar as posições ideológicas na Europa mostra que “o grande centro está a esvaziar-se. É nossa obrigação ocupar os espaços vazios”, diz Marisa.

“Alertar para os perigos do fascismo não é um exagero, é uma obrigação”, resume.

“Vai ser duro”, reconhece Luís Fazenda, outro dos fundadores do Bloco chamado a intervir nesta sessão. À esquerda - “que, certamente, já cometeu muitos erros no passado” - compete partir para a “resistência estratégica”. “Já tocaram os sinos”, reclama Luís Fazenda, que defende a mobilização social, a recuperação de direitos e a unidade entre os movimentos democráticos de esquerda.

  • O lado radical do Bloco que não vai em geringonças

    Carlos Carujo é um dos subscritores da Moção M, uma lista que vai à Convenção do Bloco de Esquerda que começa esta sexta-feira defender uma mudança da linha seguida pelo partido. Não gostou do acordo feito com o PS em 2015 e nem quer ouvir falar em renovação de votos para a próxima legislatura. Numa convenção marcada pela unidade em torno do projeto de Catarina Martins, esta é uma voz dissonante. A única, quase