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O que está em causa na polémica das falsas presenças de José Silvano no Parlamento

ANTÓNIO COTRIM

Desde sábado foram vários os desenvolvimentos sobre o caso das falsas presenças do secretário-geral do PSD no Parlamento. Ferro Rodrigues pediu uma investigação e exigiu uma reação do partido, enquanto a Procuradoria-Geral da República anunciou que está a analisar as suspeitas sobre José Silvano

“Quem não se sente não é filho de boa gente”, afirmou esta tarde o secretário-geral do PSD, José Silvano, sobre o caso das falsas presenças na Assembleia da República. A polémica começou no passado sábado, na sequência de uma notícia do Expresso que dava conta de que José Silvano validou a sua presença em plenário no dia 18 de outubro, mas nessa quinta-feira encontrava-se em Vila Real em reuniões ao lado de Rui Rio. Ou seja, alguém registou a presença do secretário-geral social-democrata por volta das 15h00 desse dia.

No dia 28 de outubro, a mesma situação – o deputado social-democrata teve a sua presença validada no sistema, mas nessa altura encontrava-se em Santarém.

Em declarações ao Expresso, José Silvano admitiu que não esteve presente nesse dia no Parlamento e que vai muitas vezes a plenário “quase só” marcar o ponto. E uma situação semelhante voltou a repetir-se esta quarta-feira quando o secretário-geral do PSD assinou a folha de presença da comissão eventual para a Transparência, mas não esteve presente na reunião. Confrontado pela Lusa, José Silvano limitou-se a afirmar que faltou à comissão porque estava ocupado com outra tarefa política.

Perante o sucedido, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, solicitou uma investigação e pediu explicações ao PSD. José Silvano alegou que alguém usou a sua password – que não alterava há três anos – para validar a sua presença em plenário. Contudo, Ferro Rodrigues desmentiu a justificação do social-democrata, explicando que os deputados alteraram as respetivas passwords em julho.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República anunciou na quarta-feira que está a “analisar os elementos que têm vindo a público com vista a decidir se há algum procedimento a desencadear no âmbito das competências do Ministério Público” sobre este caso.

Críticas de militantes do PSD

As críticas surgiram mesmo no interior do partido com Marques Mendes a defender – durante o seu comentário habitual de domingo, no Jornal da Noite, da SIC –, que o caso “mina a autoridade” do secretário-geral do PSD, que deve um pedido de desculpas. Também Carlos Moedas, comissário europeu da Inovação e militante do PSD, disse esta quinta-feira – à margem do Congresso do Partido Popular Europeu, em Helsínquia – esperar que o caso seja em breve esclarecido, frisando que é vital que os deputados “tenham uma maneira de atuar que seja moralmente superior.”

Apesar de tudo, o presidente do PSD garantiu na terça-feira que esta situação não retira em nada a confiança política em José Silvano, sustentando que não passa “de uma pequena questiúncula”. Já esta quinta-feira, Rio recusou-se a responder a jornalistas sobre a investigação da PGR sobre o caso, limitando-se a dizer em alemão: “Não sei do que estão a falar”.