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Política

Câmara do Porto disponível para apoiar financeiramente nova ala pediátrica do Hospital São João

Rui Duarte Silva

Rui Moreira defende ajuste direto para acelerar a construção do novo centro pediátrico e diz que a autarquia está disposta a comparticipar a obra através da Associação Um Lugar para o Joãozinho. Sono da ministra da Saúde não o preocupa, mas sim as condições de internamento em contentores das crianças em tratamento oncológico

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O presidente da Câmara do Porto diz que a autarquia está disponível para juntar-se aos mecenas da cidade e apoiar financeiramente a construção do novo centro pediátrico do Hospital São João, obra iniciada pela Associação Joãozinho, em 2015, e parada há mais de dois anos.

Após a ministra da Saúde, Marta Temido, ter garantido, na terça-feira, no Parlamento, que o Governo irá “pôr todo o seu empenho na resolução da ala pediátrica”, mas sem adiantar prazos para a retoma das obras, Rui Moreira frisou esta quarta-feira que o problema chegou “ao limite do intolerável”, razão pela qual defende que a construção arranque o mais breve possível através de um ajuste direto com a associação criada por Pedro Arroja, em 2014.

“Se o Estado não consegue fazer a obra, que deixe que alguém a faça e a Câmara do Porto está disponível para apoiar, dentro das suas possibilidades”, garante Rui Moreira, sem, contudo se comprometer com uma verba em concreto. Após uma reunião com o representante dos pais das crianças em tratamento oncológico, Jorge Pires, o autarca lembra que há “mecenas dispostos a comparticipar a construção” e não vê impedimento a que o próprio Estado não apoie financeiramente a obra, através de uma associação privada, tal como apoia “fundações como Serralves ou a Casa da Música”.

Apesar de o Governo ter assinado um despacho, em setembro, a viabilizar a obra, Rui Moreira, tal como Jorge Pires, teme que a revisão do projeto de arquitetura do novo Centro Pediátrico não esteja pronto antes de abril, após o qual será “lançado um concurso público internacional, e mais prazos para visto do Tribunal de Contas, o que significa que não teremos a ala pediátrica pronta antes de três a quatro anos“.

“Isso se não houver impugnações ao concurso internacional”, adverte o líder da Associação Pediátrica Oncológica, que revelou estar “satisfeito” por saber que os pais das crianças “têm mais um aliado para retomar a obra”. Jorge Pires sustenta ser “inacreditável a série de trapalhadas do Governo”, recordando que desde maio o Ministério da Saúde avançou que o dinheiro (23 milhões de euros) para a construção estava disponível, “quando agora a ministra da Saúde diz-se incapaz de adiantar um prazo para o início da mesma”.

“Governo usa faits divers para adiar a obra”, diz Jorge Pires

Jorge Pires lamenta ainda que o PS tenha, em outubro, votado contra um projeto do PSD a pedir um ajuste direto para agilizar a obra da ala pediátrica, “chumbado porque a resolução estava mal redigida”. “Se algo estava mal corrigia-se na hora, em vez de usar faits divers para empurrar para a frente o problema”, refere, acrescentando que o que está em cauda é um caso de saúde pública do Porto e da região norte, “e não uma brincadeira”.

O porta-voz dos pais das crianças internadas no Hospital São João afirma que o arquiteto responsável pelo novo projeto lhe garantiu que o mesmo não estará pronto antes de abril, além de que “não difere assim tanto do anterior” da Associação Joãozinho, que se comprometeu a angariar 19 milhões de euros para o mesmo. “A obra está concursada à Lucuis/Somague, basta que a a administração do São João liberte o espaço para que a obra interrompida seja retomada”, alega Jorge Pires.

Questionado sobre o facto de Marta Temido ter garantido que “não dormirá tranquila enquanto o problema não estiver resolvido”, Rui Moreira respondeu que o “sono da ministra” não o preocupa mas sim as “condições das crianças” hospitalizadas. O presidente da Câmara do Porto confirmou ainda que a ministra ainda não respondeu às cinco questões enviadas pela autarquia há uma semana, entre as quais qual o calendário previsível para os procedimentos de construção da nova ala pediátrica, qual a viabilidade da transferência de serviços para o IPO, para outra unidade de saúde ou para o interior do próprio Hospital de São João até à conclusão da empreitada, ou a razão que levou o ministério a desperdiçar todo o trabalho já realizado e as verbas já despendidas na obra.