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“Se Rui Rio acha que chega a vice-primeiro-ministro com falinhas mansas pode tirar o cavalinho da chuva”

Luís Marques Mendes considera que Rui Rio tem sido sempre o "anjinho da guarda" de António Costa e acredita que o líder do PSD tem a ambição de ser número 2 do primeiro-ministro. O comentador sugeriu ainda que Marcelo Rebelo de Sousa desconfia do Governo no "caso Tancos"

Palavras duras as de Luís Marques Mendes. O antigo líder social-democrata considera que Rui Rio esteve mal ao defender que António Costa não devia ir à comissão de inquérito sobre o “caso Tancos” e traçou uma relação causa-efeito: o presidente do PSD está a ser “mais costista que Costa” porque ambiciona ser número dois num futuro Governo socialista.

“Rui Rio tem um de dois problemas: ou falta de competência política ou um problema de subserviência em relação ao primeiro-ministro. Está sempre a fazer de anjinho da guarda. Se Rui Rio acha que chega a vice-primeiro-ministro com falinhas mansas pode tirar o cavalinho da chuva. António Costa nunca lhe vai dar esse lugar", argumentou Marques Mendes no seu habitual espaço de comentário na SIC.

Ainda sobre o “caso Tancos”, o ex-líder parlamentar de Marcelo Rebelo de Sousa (quando este dirigia o PSD) e atual conselheiro de Estado do Presidente da República sugeriu que Marcelo desconfia que é o Governo quem está na origem das notícias que dão como segura a tese de que Chefe de Estado terá sido informado sobre a encenação em torno da recuperação do material militar roubado em Tancos.

Na sexta-feira, em declarações ao “Público”, e depois de confrontado com uma reportagem da RTP que apontava nesse mesmo sentido, Marcelo Rebelo de Sousa fez declarações enigmáticas: “Se pensam que me calam, não me calam”. Quem está a tentar calar Marcelo? O Presidente da República não o disse.

Na SIC, Marques Mendes defendeu que estas declarações eram “um recado ao Governo” e a forma que Marcelo encontrou para dizer “que não achou graça”. Mais: que suspeita que foi “o Governo a ajudar à festa” atirando o nome do Presidente da República para o centro da “nebulosa” (palavras de Marcelo) em que se transformou o “caso Tancos”.

Sobre debate do Orçamento do Estado para 2019, o comentador fez críticas aos dois maiores partidos: os socialistas, disse Marques Mendes, mostraram “muita arrogância” , quer na forma como António Costa decidiu não participar no debate, quer na forma como o Governo tem feito a promoção do défice (“como se se tratasse da última coca-cola do deserto”) e como tem destratado as entidades independentes que questionam os números de Mário Centeno; os sociais-democratas, completou o antigo presidente do PSD, mostraram a sua “impotência” e “irrelevância”, presos a uma “orgia de adjetivos”, incapazes de fazer um discurso com “cabeça, tronco e membros” e sem discernimento para apresentarem “alternativas” concretas.