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Marcelo rejeita utilização das Forças Armadas por "interesses pessoais" e "jogos de poder"

MIGUEL A. LOPES

O Presidente da República falou da paz alcançada há um século, mas sublinhou a importância e independência das Forças Armadas. E deixou um aviso: sem as Forças Armadas "não há liberdade, nem democracia". "Quem dentro ou fora não entender isto, não entendeu nada do passado, do presente nem do futuro de Portugal", completou Marcelo

O "Milagre de Tancos" que levou a força expedicionária portuguesa à Batalha de La Lys serviu de mote ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa no discurso sobre os cem anos do Armistício da I Guerra Mundial. A operação que ficou assim conhecida remete ao facto de depois de apenas três meses de preparação, vinte mil jovens soldados receberam treino com armamento enviado por ingleses e franceses, foram transportados por camiões comprados aos americanos para a Flandres em janeiro de 1917. Em abril do ano seguinte, a batalha de La Lys entraria para a memória nacional como um falhanço, onde sete mil portugueses perderam a vida.

Mais de cem mil participaram, oito mil morreram e sete mil foram feitos prisioneiros na Grande Guerra e foram recordados pelo Presidente no discurso deste domingo. Abnegação, lealdade e coragem foram as palavras escolhidas para definir o comportamento de vários dos soldados nomeados. E, em nome de Portugal, disse ali estar para homenagear os três ramos com a Ordem Militar da Torre e Espada.

"Nao toleraremos que se repita o uso das Forças Armadas por interesses pessoais ou de grupo e jogos de poder" sublinhou. O problema do roubo das armas de Tancos de 2017 não foi referido por Marcelo Rebelo de Sousa, mas terá pairado por trás das palavras do Presidente da República, que recordou a importância de manter as Forças Armadas na manutenção da liberdade, segurança, democracia e da paz.

“Hoje mais do que nunca queremos celebrar as nossas Forças Armadas. Sem vós, não há liberdade, nem segurança, nem democracia, nem paz que possam vigorar."Quem dentro ou fora não entender isto, não entendeu nada do passado, do presente nem do futuro de Portugal", afirmou o Presidente da República.

Palavras que surgem um dia depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter demonstrado alguma irritação com os que agora o tentam envolver na “nebulosa” em que se tornou o “caso Tancos”, sugerindo que o Presidente da República teve conhecimento da operação de encobrimento através do tenente-general João Ramirez Cordeiro, ex-chefe da Casa Militar da Presidência da República, depois de contactos mantidos com a Polícia Judiciária Militar (PJM). Em declarações ao jornal "Público", Marcelo deixado um recado enigmático: "Se pensam que me calam, não me calam”. Quem está a tentar calar o Presidente da República? O Chefe de Estado não o disse.