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Marcelo sobre Tancos: “Se pensam que me calam, não me calam”

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Presidente da República acredita que alguém o está a tentar envolver na "nebulosa" em que se transformou o "caso Tancos" para impedir que se descubram os responsáveis pelo assalto aos paióis

Palavras, no mínimo, esfíngicas as de Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República não gostou de ser associado à encenação que esteve na origem da recuperação do material militar roubado em Tancos e deixou um aviso: “Se pensam que me calam, não me calam”. Quem está a tentar calar Marcelo? O Chefe de Estado não o disse.

Em declarações ao jornal “Público”, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se irritado com os que agora o tentam envolver na “nebulosa” em que se tornou o “caso Tancos”, sugerindo que o Presidente da República teve conhecimento da operação de encobrimento através do tenente-general João Ramirez Cordeiro, ex-chefe da Casa Militar da Presidência da República, depois de contactos mantidos com a Polícia Judiciária Militar (PJM).

Na sexta-feira, a RTP adiantou que Belém sabia do encobrimento no caso de Tancos, depois de “vários contactos” do antigo diretor da PJM com o ex-chefe da Casa Militar da Presidência da República. Para Marcelo, esta estratégia tem apenas um objetivo: não apanhar os responsáveis pelo roubo de material militar de Tancos. “Estranho que quem me queira atribuir o que quer que seja o tenha feito sem me ouvir previamente. É o mínimo para qualquer cidadão. Nunca falei com o director da PJM”, garantiu Marcelo Rebelo de Sousa.

Ainda na sexta-feira, o Presidente da República, em visita à Madeira, já tinha demonstrado alguma irritação com a tese de que sabia da operação. “Se eu soubesse o que se tinha passado, não passava a vida a exigir o esclarecimento. Era muito simples. Se eu tivesse sabido desde o dia 2 de Julho e depois ao longo do processo o que se tinha passado, para quê estar a insistir num esclarecimento, como insisto hoje?”, argumentou o Presidente da República. "Podem insistir uma, duas, dez, 20 vezes: se há quem, dia após dia, contra tudo e todos, tem insistido para se apurasse a verdade, foi o Presidente da República”, rematou Marcelo.