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Tancos. PSD quer saber se ministro da Administração Interna sabia de encobrimento

António Pedro Ferreira

Numa pergunta ao Ministério da Administração Interna (MAI), entregue no parlamento, o líder parlamentar do PSD Fernando Negrão e o deputado Carlos Peixoto querem saber se Eduardo Cabrita “teve, em algum momento, conhecimento dos contornos da operação que levaram ao encobrimento do desaparecimento das armas de Tancos”

O PSD quer saber se o ministro da Administração Interna teve conhecimento do caso de Tancos, face às notícias do envolvimento da GNR no alegado encobrimento na recuperação do material militar furtado, foi anunciado esta sexta-feira.

Numa pergunta ao Ministério da Administração Interna (MAI), entregue no parlamento, o líder parlamentar do PSD Fernando Negrão e o deputado Carlos Peixoto querem saber se Eduardo Cabrita “teve, em algum momento, conhecimento dos contornos da operação que levaram ao encobrimento do desaparecimento das armas de Tancos”.

Os sociais-democratas argumentam que “foi tornado público” o alegado envolvimento de militares da GNR, na tutela do MAI, nomeadamente de Loulé, na “operação que levou ao encobrimento do roubo do material de guerra”.

Esta é a segunda pergunta deste tipo feita pelo PSD a um ministro, depois de, na quarta-feira, ter questionado a titular da Justiça, Francisca Van Dunem.

“Dado o denunciado envolvimento da GNR, é imperioso esclarecer cabalmente se o senhor ministro da Administração Interna, que tutela a instituição, em algum momento obteve ou tentou obter do comando geral ou de outro nível de comando informações sobre a operação que resultou na recuperação do material de guerra”, lê-se no texto.

Para o PSD, o “roubo das armas de Tancos e a sua milagrosa aparição” não pode “nem deve ser desvalorizado ou silenciado”.

Na quarta-feira, também numa pergunta assinada por Fernando Negrão e Carlos Peixoto, o PSD afirmou querer saber “que grau de conhecimento” tem a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, do caso de Tancos, defendendo que o primeiro-ministro a colocou “no mesmo nível de responsabilidade política” do ex-ministro da Defesa.

Os sociais-democratas recordaram que, no debate quinzenal de 26 de setembro, o primeiro-ministro foi questionado se mantinha a confiança política no seu anterior ministro da Defesa por causa de Tancos, e na resposta afirmou que sim e mantinha os dois, Azeredo Lopes e Francisco Van Dunem, no Governo.

O furto do armamento dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017, e, quatro meses depois, foi recuperada parte do material militar.

Em setembro, a investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR.

Na mesma altura, foi noticiada uma operação de encenação e encobrimento na operação, alegadamente organizada por elementos da Polícia Judiciária Militar, que dela terão dado conhecimento ao chefe de gabinete do ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

José Azeredo Lopes demitiu-se do cargo de ministro da Defesa Nacional, entretanto, e foi substituído por João Gomes Cravinho.

Também o general Rovisco Duarte apresentou a demissão de Chefe do Estado-Maior do Exército, cargo agora ocupado pelo general José Nunes da Fonseca.