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“O mandato é meu.” Eurodeputado do MPT que perdeu a confiança do partido diz que cumpre mandato até ao fim

O eurodeputado Inácio Faria (ao centro) falando com Fernando Ruas

Luís Barra

O Movimento Partido da Terra retirou a confiança política ao seu eurodeputado, Inácio Faria. Este responde que o mandato é dele e que foi a atual direção que se desviou “da matriz ideológica” do partido

José Inácio Faria pretende cumprir o mandato como eurodeputado até ao fim, apesar de a Comissão Política Nacional do Movimento Partido da Terra (MPT) lhe ter retirado, esta terça-feira, a confiança política. “O mandato é meu”, diz ao Expresso, adiantando que também não pretende abdicar do mandato como deputado à Assembleia Municipal de Lisboa.

Quanto à possibilidade de voltar a candidatar-se às eleições europeias, diz que ainda não está a pensar nisso, adiantando que “quando chegar o momento” logo decidirá se se recandidata ou não, em que lista e de que forma. “Não devo nada a ninguém e sou livre para decidir”, afirma.

Em junho, o presidente do MPT, Luís Vicente, confirmava à agência Lusa que tinha convidado José Inácio Faria para ser cabeça de lista do partido nas eleições de maio de 2019. Mas esta semana, o mesmo Luís Vicente assinava o comunicado que dava conta da decisão unânime da Comissão Política Nacional de lhe retirar confiança política.

A decisão em si não surpreendeu o eurodeputado, mas apanhou-o de surpresa na forma como foi comunicada. “Não é assim que se tratam ex-presidentes do partido”, queixa-se, apontando o dedo a uma situação que acontece quando nem sequer estava no país. Nos últimos dois dias esteve no Uruguai e chegou esta quarta-feira ao Paraguai, numa missão enquanto eurodeputado.

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José Inácio Faria soube da notícia pela comunicação social, e critica a forma “menos democrática” como a decisão foi tomada, sem que tenham falado primeiro com ele, e sem que o partido tenha discutido eventuais divergências entre as orientações partidárias e as posições defendidas pelo deputado em Bruxelas e na Assembleia Municipal de Lisboa.

“Nem sei bem o que eles alegam”, adianta, referindo no entanto que as divergências podem estar relacionadas com a nova diretiva dos Direitos de Autor no Mercado Digital. José Inácio Faria votou a favor da nova legislação, mas essa não seria a opção da nova direção do MPT, que assumiu funções em fevereiro.

“Desde fevereiro que há um desvio na matriz ideológica do MPT”, acusa José Inácio Faria, dizendo que as suas posições e as do partido têm sido sempre “muito próximas” e que pretende continuar a seguir a “doutrina do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles”, presidente honorário e um dos fundadores do MPT, de ideais humanistas e ecologistas. Tanto no trabalho como eurodeputado em Bruxelas e Estrasburgo como em Lisboa. Demite-se, no entanto, do Conselho Nacional do MPT.

Em 2014, José Inácio Faria foi o segundo nome na lista do MPT, encabeçada por António Marinho e Pinto. Os dois foram eleitos, mas desentenderam-se logo no arranque da legislatura. Marinho e Pinto deixou o MPT, mantendo, no entanto, o mandato como eurodeputado. Ambos tinham assento parlamentar na bancada dos Liberais, mas no final de 2016 José Inácio Faria mudou-se para o Partido Popular Europeu, o grupo parlamentar onde estão também PSD e CDS.