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Loures. “André Ventura não deixou marca”

“O PSD tornou-se um partido de centro-esquerda e uma via de ligação para o PS”, diz Ventura

d.r.

Os socialistas não esquecem André Ventura. O ex-militante do PSD deixou a Câmara de Loures e Sónia Paixão, do PS, critica a “figura de papel” e “falso brilho” que durou menos de um ano. Ventura defende-se: “Não fui eu que mudei, foi o PSD”

Sónia Paixão, vereadora da Câmara de Loures eleita pelo PS, não poupa críticas a André Ventura, que deixou a autarquia por discordar do rumo escolhido por Rui Rio e que se prepara agora para fundar um novo partido. Para a socialista, Ventura “defraudou as expectativas de quem votou nele” e acabou o mandato “sem deixar qualquer marca em Loures”.

“André Ventura apareceu graças a declarações polémicas. Mas à primeira circunstância, bateu com a porta. Não deixou marca. Era uma excelente oportunidade para conhecer André Ventura, o político, mas não aconteceu”, ironiza a vereadora, em declarações ao Expresso.

Na opinião da socialista, o agora ex-vereador nem sequer se dignou comunicar a sua saída no órgão competente, limitando-se a enviar uma carta a Bernardino Soares, presidente da autarquia. “Os eleitores vão tirar uma lição sobre as consequências de votar em candidatos com falso brilho e figuras de papel”, antecipa Paixão.

Quanto ao futuro político de André Ventura à frente do partido que pretende criar, a vereadora é lacónica: “André Ventura ainda não fez nada na política e os portugueses estão bem atentos a estes fenómenos mais extremistas. Não creio que tenha maior sorte neste projeto”, sentencia a socialista.

“NO DIA DAS ELEIÇÕES EUROPEIAS EU LIGO-LHE”, RESPONDE VENTURA

André Ventura discorda, naturalmente. Em declarações ao Expresso, o ex-vereador reconhece que o “seu tempo como vereador foi menor do que era esperado”, mas garante que os cidadãos de Loures percebem bem os motivos da sua saída.

“Havendo uma discordância de fundo com a direção do PSD e estando a formar um novo partido, só tinha de sair. E não fui eu que mudei: foi o PSD que se tornou um partido de centro-esquerda e uma via de ligação para o PS que as bases não compreendem”, critica.

Quanto ao facto de ter comunicado a decisão numa carta dirigida a Bernardino Soares, Ventura defende que é isso que a lei prevê e convida Sónia Paixão a “estudar”. Sobre a marca que deixa ou não em Loures, o ex-militante social-democrata defende que foi graças a ele que a Câmara “reconheceu” finalmente as dívida social milionária – realidade que agora a autarquia vai combater aumentando a fiscalização nos bairros sociais, assegura. “Algo que o PS nunca quis fazer porque tinha medo de melindrar as suas bases”, ataca Ventura.

Confrontado com os maus augúrios de Sónia Paixão em relação ao seu futuro político, o ex-vereador diz que são música para os seus ouvidos. “Registo as palavras de Sónia Paixão como positivas. Sempre que diz como se devem comportar os eleitores, eles fazem o contrário. No dia das eleições europeias eu ligo-lhe”, promete Ventura.

O ex-social-democrata, que se prepara para formalizar o ‘Chega’ enquanto partido, acredita que estará em condições de ir a votos já em maio, altura em que se realizam as eleições europeias. E está confiante no sucesso do seu novo projeto político.

“Quando falei em castração química para violadores, parecia que estava a falar em enforcamentos. Quando falei em prisão perpétua, parecia que estava a falar em matar pessoas. Os partidos não percebem que os portugueses estão fartos desta linguagem obscura. Não percebem que os portugueses ficam indignados quando o ministro [da Administração Interna] e o Presidente da República atacam a polícia por divulgar fotos de pessoas que bateram em idosos. Os portugueses estão fartos”, diz. Resta saber se as suas ideias terão o acolhimento que espera.