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Ferreira Leite: “O único objetivo de Centeno é reduzir o défice”

A postura do ministro das Finanças ao longo da apresentação e discussão do Orçamento do Estado foi o ponto sublinhado por Manuela Ferreira Leite no seu habitual espaço de comentário na TVI 24

Da discussão do Orçamento do Estado, Manuela Ferreira Leite sublinhou um ponto: a postura de Mário Centeno. “Houve um certo autoritarismo, talvez excessivo. Não de moralista, mas do género ‘vai falando que eu te ouço’”, criticou a comentadora no habitual espaço de quinta-feira à noite na TVI 24. E, em seguida, acrescentou que neste caso havia um certo simbolismo em ser Centeno a fazer a apresentação do documento e não o primeiro-ministro.

“A oposição falou muito do facto de não ser o primeiro-ministro a apresentar o Orçamento. No entanto, não é inédito e neste caso acho que teve um significado”, considerou Ferreira Leite.

A antiga ministra das Finanças referiu ainda que “o único objetivo de Centeno é reduzir o défice” e que este não “está a medir as consequências de só querer atingir esse objetivo”. “As pessoas não estão a perceber o que significa um défice zero”, defendeu.

Entre as medidas discutidas pelos deputados, Ferreira Leite destacou a redução do teto máximo para o valor das propinas - “uma bandeira do Bloco”. “Foi reduzido para todos, independentemente da capacidade financeira das pessoas.”

Para a antiga ministra da Educação, a opção não deveria ser aplicar uma medida que inclui todos os alunos, mas sim alargar as possibilidades de aceder aos programas de ação social, ou seja, que mais alunos com menos recursos conseguissem bolsas, por exemplo.

“Tenho dificuldade em dizer que acho que esta medida [de redução do teto máximo da propina] vai afetar a qualidade do do ensino, porque tenho a certeza que vai afetar”, defendeu, justificando que as instituições de ensino superior vão ter o seu rendimento reduzido.

Brasil: “A desilusão de uma expectativa muito elevada é arrasadora”

Para Manuela Ferreira Leite, a escolha de Jair Bolsonaro para Presidente do Brasil deixa claro que os brasileiros preferiram “trocar a liberdade pela segurança”. Bolsonaro era, defendeu, o candidato que “personificava o combate à corrupção” e a escolha de Sérgio Moro (o juiz que mandou prender Lula da Silva) para ministro da Justiça “tem significado”.

A comentadora explicou o resultado da eleição pelo facto de ao longo dos últimos anos terem sido criadas enormes expectativas por “aquilo que era uma esquerda no Brasil”, com promessas de “combate aos mais poderosos e ajuda aos mais necessitados”. O problema, defendeu, foi a desilusão dos brasileiros.

“A desilusão de um expectativa muito elevada é arrasadora”, referiu. “No primeiro mandato de Lula houve realmente uma grande melhoria das condições de vida das classes mais pobres, mas depois começaram todos aqueles problemas da segurança e corrupção, que foram exatamente os dois grandes temas desta campanha”, disse Ferreira Leite.