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Tancos: A narrativa que salva (quase) todos

Se Azeredo Lopes desvalorizou o memorando, não o terá comunicado a António Costa. Marcelo Rebelo de Sousa até acha plausível que o ministro não tenha percebido a informação que recebeu. O PM sabia? “Fiquei com a impressão que não ...”

Não se sabe se na conversa que teve com António Costa antes de se demitir, Azeredo Lopes lhe confessou que leu o memorando entregue no seu gabinete mas não percebeu que havia um encobrimento de um dos responsáveis pelo roubo de Tancos. Mas esta é uma narrativa que facilita as juras do primeiro-ministro e do Presidente da República de que não sabiam que a PJ Militar tinha descoberto o material roubado recorrendo a um complô que envolveu os criminosos. Se o ministro da Defesa não percebeu toda a dimensão da tramoia, é mais natural que a tenha omitido a Costa. E se Costa não soube da tramoia, não podia partilhá-la com Marcelo. Mas, coincidência ou não, a tese que foi ganhando credibilidade em Belém passa precisamente pela convicção de que Azeredo Lopes não percebeu.

O Presidente privou bastante com o ministro da Defesa desde que, há mais de um ano, o obrigou a ir a Tancos com o roubo ainda quente. Logo nessa altura, como o Expresso noticiou, Marcelo teria visto com bons olhos a demissão do ministro e chegou a ter a expectativa de que António Costa aproveitasse a demissão da então ministra da Administração Interna para remodelar também a Defesa. O primeiro-ministro não o fez mas a avaliação de Azeredo Lopes no Palácio de Belém nem por isso mudou. “O PR passou a vida a receber informação militar que o ministro ou desvalorizava ou não percebia”, relataram ao Expresso. Daí que, não tendo António Costa alguma vez deixado perceber a Marcelo qualquer informação sobre a estratégia montada pela PJM para recuperar as armas, o Presidente tenha firmado a convicção de que o ministro recebeu o memorando mas desvalorizou-o.

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