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Ministro do Ambiente sobre João Galamba: “Fui eu que escolhi o novo secretário de Estado”

João Pedro Matos Fernandes reafirmou, em entrevista ao “Público” este sábado, a confiança na “boa equipa” que fará ao lado do ex-deputado João Galamba. O ministro do Ambiente disse ser “demasiado evidente” que os problemas da habitação não se restringem às famílias carenciadas e falou do investimento de 760 milhões de euros em transportes: “A perceção que existe sobre os transportes coletivos por parte de quem não os usa é pior do que aquilo que eles são.”

Mesmo tendo também ficado com a pasta da Energia a seu cargo, o ministro do Ambiente não se considera um “megaministro”. “Tendo o senhor primeiro-ministro assumido há dois anos um compromisso que não estava no programa do Governo, o da neutralidade carbónica do país, é normal que a Energia passe para esta pasta”, disse este sábado em entrevista ao jornal “Público”. João Pedro Matos Fernandes aproveitou para reagir aos comentários gerados pela escolha do ex-deputado João Galamba para a secretaria de Estado, afirmando não ter “a mais pequena dúvida da importância ou relevância que o João Galamba” pode ter nas suas novas funções. “Vamos fazer certamente uma boa equipa”, afiançou.

Para o ministro do Ambiente, “descarbonizar é assegurar que os consumidores podem consumir energia de fontes renováveis a preços aceitáveis”, objetivo para o qual é preciso “evoluir para um modelo em que haja cada vez maior incorporação de renováveis na energía elétrica”. Quanto a esta, o responsável prevê que, uma vez fixada pela ERSE a tarifa final da eletricidade, esta “vá mesmo acompanhar a expectativa do Governo, de abaixamento de 5%”.

No tópico dos transportes, João Pedro Matos Fernandes falou do investimento previsto de 760 milhões de euros, especificando a abertura de concurso para novas unidades triplas para o Metro de Lisboa e a compra de um novo sistema de sinalização e de segurança — “porque aquele que temos é do início da década de 70 e é das poucas coisas do fascismo que ainda funciona em Portugal”. Haverá também, ainda este ano, concursos para 18 unidades no Metro do Porto, obras de expansão do Metro nesta cidade e em Lisboa, aquisição de dez novos navios para a Transtejo/Soflusa, e o investimento de 100 milhões na compra de 400 novos autocarros para a STCP e Carris.

O responsável comentou ainda o problema da habitação, a respeito do qual dois projetos do Governo se encontram em votação na Asembleia da República. “Não vejo razão nenhuma para que chumbe [o chamado 'pacote habitação']. É demasiado evidente que há um conjunto vasto de famílias que, não sendo famílias carenciadas, têm neste momento um problema para encontrar habitação no mercado. Acho que não é só o Governo e o PS que têm esta preocupação”, observou, reconhecendo que o incentivo fiscal aos senhorios — assente no facto de “os proprietários não pagarem qualquer imposto sobre o rendimento que tiverem das casas que colocarem no arrendamento acessível” — “não é suficiente”. “Mas é claramente aquele que estará mais diretamente nas nossas mãos, do ponto de vista do calendário”, concluiu.