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Marcelo, o persistente. O que disse o Presidente da República sobre Tancos até agora?

FRANZ NEUMAYR/GETTY IMAGES

Desde que visitou Tancos, de onde desapareceu, em junho do ano passado, armamento militar do Exército português, o Presidente da República não mais deixou de insistir no apuramento das responsabilidades. "A memória, em casos destes, não prescreve", disse Marcelo um ano depois do assalto

O Presidente da República tomou o caso de Tancos como uma das suas grandes preocupações ao longo deste ano. Pouco depois de ter conhecimento da notícia do roubo, em junho de 2017, Marcelo Rebelo de Sousa visitou o local de onde desapareceram as armas e desde essa ocasião não mais deixou de pedir esclarecimentos.

Um ano após o desaparecimento do armamento, publicou uma nota na página da Presidência onde se lia o seguinte: “O Presidente da República reafirma, uma vez mais, a sua posição de querer ver apurados integralmente os factos e os seus eventuais efeitos jurídicos e criminais, para os quais é essencial o papel do Ministério Público”.

Poucos dias depois disso, a 30 de junho deste ano, usou uma das suas frases mais marcantes sobre este caso: "Há uma investigação judicial em curso há um ano. É para lembrar que a memória não prescreve. Qualquer que seja o resultado, importa que os portugueses conheçam o resultado", afirmou numa visita às instalações da OGMA, empresa aeronáutica que assinalou 100 anos de existência.

Negando sempre que as suas declarações públicas quisessem constituir recados à Procuradoria-Geral da República, nessa altura Marcelo disse também que “o Presidente não se envolve no tempo da Justiça” e que se limita “a dizer em voz alta o que os portugueses pensam em voz baixa"

Já no fim de setembro, quando foram feitas as primeiras prisões por suspeita de ligação ao reaparecimento das armas na Chamusca, três meses depois de terem desaparecido e entre as quais se incluiu a do diretor da Polícia Judiciária Militar, o coronel Luís Vieira, Marcelo voltou à carga.

Em mais uma nota divulgada no portal da Presidência da República, o Presidente referiu que sempre insistiu “desde o primeiro dia” no esclarecimento “integral” do caso de Tancos". "O Presidente da República relembra que insistiu desde o primeiro dia no esclarecimento integral do caso de Tancos e na importância da investigação criminal; ainda recentemente, a 10 de setembro, reiterou que esperava desenvolvimentos nessa investigação", lê-se na nota.

A 10 de setembro o chefe de Estado tinha manifestado “uma forte esperança” em que as conclusões da investigação criminal ao desaparecimento de material de Tancos fossem conhecidas dentro “de dias ou de semanas - e não de meses”.

Questionado, a 4 de outubro, sobre o conhecimento imputado ao ministro da Defesa, Azeredo Lopes, quanto ao esquema alegadamente montado pela Polícia Judiciária Militar para a recuperação das armas, que passou por “proteger” o ladrão em prol do “bem maior” da recuperação do armamento, Marcelo pediu apenas que se apure "toda a verdade" para formular "um juízo preciso".

Interrogado se, enquanto Comandante Supremo das Forças Armadas mantinha a confiança em Azeredo Lopes, que esta sexta-feira apresentou a demissão, respondeu: "Vamos aguardar a conclusão deste processo, desta instrução criminal em curso, e, em função dos factos apurados e das responsabilidades eventualmente suscitadas, depois será possível formular um juízo preciso, concreto e específico acerca da matéria".

Já a 10 de Outubro, questionado sobre o mesmo assunto, o chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas reiterou a sua posição de que deve ser apurado "tudo o que é preciso apurar" sobre este caso, acrescentando: "Às tantas fala-se da devolução, imenso, mas para haver devolução é porque elas primeiro foram furtadas”. Marcelo defendeu que todas as responsabilidades devem ser apuradas “doa a quem doer".