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António Costa e Azeredo Lopes. De apoio em apoio até à demissão final

DARRIN ZAMMIT LUPI/GETTY

Depois de ter afirmado a sua confiança política em Azeredo Lopes, esta semana no Parlamento o primeiro-ministro voltou a defender o titular da pasta da Defesa: “a informação que tenho é que não tinha conhecimento” [do documento sobre a alegada operação para a devolução das armas roubadas em Tancos]. O ministro, afinal, demitiu-se esta sexta-feira. António Costa ainda não comentou

Ao lado do ministro da Defesa no Comando Aéreo da Força Aérea Portuguesa, esta segunda-feira, em Monsanto, António Costa não comentou diretamente a suspeita lançada sobre Azeredo Lopes no âmbito do caso das armas roubadas em Tancos, mas garantiu que a confiança no ministro estava “inalterada”.

Foi a primeira vez que os dois governantes apareçeram juntos, em público, desde que o major Vasco Brazão, da Polícia Judiciária Militar, declarou que o ministro teria conhecimento da alegada encenação para a recuperação do material furtado em Tancos. Costa desmentiu que Azeredo Lopes fosse “um problema” face às investigações, mas foi no Parlamento, dois dias depois, que fez questão de defender o ministro.

“Não tenho conhecimento do documento entregue hoje no DCIAP”, disse o primeiro-ministro, em resposta ao líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, no debate quinzenal na Assembleia da República. Acrescentando, depois, sobre Azeredo Lopes: “a informação que tenho é que não tinha conhecimento”.

Costa referia-se ao documento que o ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa, general Martins Pereira, entregou no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Nada menos que o memorando sobre a operação acordada com um informador para que as armas furtadas fossem devolvidas.

Antes, sobre este caso, já António Costa dissera ao Expresso desconhecer “em absoluto o que tenha sido dito por qualquer pessoa em qualquer depoimento, que aliás presumo que esteja em segredo de justiça”.

“Conheço o que de modo inequívoco o ministro da Defesa Nacional já declarou em público e que não suscita qualquer quebra de confiança”, acrescentou o primeiro-ministro. Disse-o no dia 4 de outubro, com Azeredo Lopes nessa altura a reafirmar também que não se demitia.