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PCP faz apelo para “barrar o caminho ao fascismo” no Brasil

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Os comunistas alertam que o resultado alcançado pelo candidato da extrema-direita nas eleições do Brasil no domingo “constitui um perigo que não pode ser subestimado”

O PCP defendeu esta segunda-feira que "a possibilidade de barrar o caminho ao fascismo é real", ao comentar o resultado da primeira volta das eleições presidenciais de domingo no Brasil e a vitória do candidato Jair Bolsonaro.

"Hoje como sempre o PCP estará ao lado dos comunistas e das forças democráticas e progressistas do Brasil na sua luta para derrotar o fascismo e retomar e aprofundar o caminho de progresso e soberania iniciado em 2002, com a primeira vitória presidencial de Lula da Silva", lê-se num comunicado.

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) venceu as eleições presidenciais brasileiras deste domingo, com 46,7% dos votos, seguido de Fernando Haddad (PT), com 28,37%, quando estão 96% das secções de voto apuradas, confirmando uma segunda volta entre ambos.

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral, que começaram a ser divulgados às 19h (23h em Lisboa), no terceiro lugar da contagem ficou o candidato Ciro Gomes (PDT), com 12,52% dos votos contabilizados.

Os números foram divulgados cerca das 21h (1h em Lisboa) e como nenhum candidato está já, oficialmente, em condições de atingir a marca de 50% dos votos válidos, haverá uma segunda volta.

Os comunistas destacaram que, "ao contrário da brutal campanha de manipulação da opinião pública, que nos últimos dias apontava para uma vitória de Bolsonaro, este será obrigado a disputar em 28 de outubro uma segunda volta".

"As ambições da reação golpista que destituiu a legítima Presidente do Brasil [Dilma Roussef] e encarcerou Lula da Silva para impedir a sua candidatura e chegou mesmo ao ponto de não o deixar votar, viram-se para já goradas. Mas o resultado alcançado pelo candidato da extrema-direita, só possível pelos gravíssimos problemas sociais que afetam a grande massa do povo trabalhador brasileiro e a profunda crise das instituições democráticas em que a politização da justiça e a corrupção desempenham papel particularmente importante (...) constitui um perigo que não pode ser subestimado", lê-se ainda.

A decisão sobre o sucessor de Michel Temer como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil ficou adiada para 28 de outubro, com a eleição a ser disputada entre Jair Bolsonaro, o candidato da extrema-direita brasileira, e Fernando Haddad, que substituiu Lula da Silva na liderança da candidatura do PT (esquerda).

Domingo, 147 milhões de brasileiros foram às urnas para escolher um novo Presidente, membros do Parlamento (Câmara dos Deputados e Senado), além de governadores e legisladores regionais em todo o país.