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Marcelo avisa: “Não há democracia sem democratas e sem se dar atenção às Forças Armadas”

MIGUEL A. LOPES / LUSA

Numa espécie de aula de História de Portugal, o Presidente da República apontou algumas “lições úteis”, recordando os riscos do “tratamento errado das Forças Armadas”. “Todos os dias se constrói ou destrói a democracia. Todos os dias se constrói ou destrói o 5 de outubro”, disse durante as comemorações da implantação da República

Foi com recurso a um século de História de Portugal que Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta sexta-feira vários alertas aos políticos e à população portuguesa.

No discurso de onze minutos durante as comemorações do 5 de outubro na Praça do Município, em Lisboa, o Presidente da República lembrou que não é só pelo voto que se constrói a democracia, mas também na vida do dia a dia.

“Todos os dias se constrói ou destrói a democracia. Todos os dias de constrói ou destrói o 5 de outubro”, afirmou Marcelo durante as comemorações da implantação da República naquilo que se assemelhou a uma curta aula de História.

“O 5 de outubro, tal como a República que permitiu implantar e a democracia que viria a consagrar, é uma obra de todos os dias”, continuou o chefe de Estado. “Nunca autocontemplativa, nunca deslumbrada com a efeméride. Obra que aprende com as lições do passado, não comete os mesmos erros ou se resigna com as mesmas omissões.”

Sem nunca referir diretamente o caso de Tancos, o Presidente da República deixa, no entanto, alguns recados nas entrelinhas, lembrando que as “divisões fraticidas”, as “debilidades partidárias” e o “tratamento errado das Forças Armadas” podem pôr e causa o 5 de Outubro. E deu o exemplo da “brevíssima República Nova”, que no final da Primeira Guerra Mundial levou ao regime ditatorial de Sidónio Pais.

Marcelo declarou ainda que “não há democracia sem se dar atenção às Forças Armadas”, naquilo que foi interpretado por alguns políticos como um aviso aos riscos que decorrem da polémica de Tancos, que envolve o ministro da Defesa Nacional. José Azeredo Lopes foi alegadamente informado sobre a encenaçao da Polícia Judiciária Militar para recuperar as armas roubadas em Tancos, acusações que o ministro rejeita “categoricamente”.

“Não há democracia sem democratas, não há democracia sem condições económicas e sociais que lhe dêem legitimidade. Não há verdadeira democracia sem o permanente combate às desigualdades, à pobreza, à corrupção das pessoas e instituições, sem sistemas políticos dinâmicos e geradores de alternativa. Não há democracia sem se dar atenção a entidades estruturantes como as Forças Armadas”, continuou o Presidente da República.

Notícia atualizada às 11h40